Compra do Schahin pode reduzir rating do BMG, alerta Moody’s

Agência explica que aquisição pode piorar situação de capital do banco

São Paulo – A compra do banco Schahin pode afetar a percepção de crédito do BMG, caso seja concluída, avisa a agência de classificação de risco Moody’s, em relatório publicado nesta quinta-feira (2). O rating do BMG foi colocado em revisão para possível rebaixamento e a nota do Schahin foi cortada.

As analistas Ceres Lisboa e M. Celina Vansetti afirmam que o banco mineiro tem sofrido com a exigência maior de alocação de capital nos empréstimos de longo prazo, além da decisão de reter créditos no balanço à medida que as securitizações e vendas de ativos estejam mais restritas.

Segundo elas, o índice de capital de Nível do BMG em 9,88% (Basiléia total de 14,1%), em março, já demonstra os desafios da alteração contábil a partir do próximo ano. “Essas questões já foram levantadas em dezembro, quando a Moody’s atribuiu uma perspectiva negativa para os ratings do BMG, mas elas podem tomar uma dimensão maior com a aquisição do Banco Schahin”, explicam.

O BMG anunciou a compra do Schahin em abril deste ano por 250 milhões de reais. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) intermediou a negociação entre os dois bancos porque o Schahin enfrentava problemas de capital. A Moody’s lembra que o banco não divulgou os resultados do último trimestre do ano passado e do início deste ano. Dados preliminares, contudo, apontam para efeitos negativos por conta de uma captação mais cara “e índices de capitalização bastante deteriorados”, afirma a agência.

Por conta das dificuldades de captação, o Schahin tem recorrido a um sistema especial de empréstimos para bancos, conhecido como os DPGEs (depósitos a prazo com garantia especial) para sustentar as suas atividades. O problema é que o Banco Central já anunciou o encerramento desta linha criada durante a recente crise financeira de 2009 para janeiro de 2012.

A nota de crédito do BMG está em Ba2. O rating do Schahin foi reduzido de Ba3 para B2.