Compra da Tiffany pela LVMH agrada investidores e ações sobem

Notícia da aquisição também contribuía para elevar os índices europeus para o maior nível em uma semana

O acordo do grupo francês de artigos de luxo LVMH para comprar a joalheria norte-americana Tiffany ajudou a elevar as ações europeias para o maior nível em uma semana nesta segunda-feira (25). O otimismo de que Washington e Pequim serão capazes de resolver suas brigas comerciais também melhorou o sentimento dos investidores.

Às 8:15 (horário de Brasília), o índice FTSEEurofirst 300 subia 0,69%, a 1.593 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhava 0,72%, a 407 pontos.

As ações da LVMH subiam 1,8% perto do mesmo horário, acima de 400 euros, no caminho para seu melhor dia em três semanas. A alta acontece após a empresa francesa dizer que a aquisição da marca norte-americana sairá por 16,2 bilhões de dólares. No pré-mercado, os papéis da Tiffany negociados em Nova York subiam 5,6%, negociados em 132 dólares.

Todos os principais subsetores europeus eram negociados em alta, liderados pelas mineradoras, sensíveis ao comércio, que atingiram uma máxima de duas semanas após uma notícia de que a China e os Estados Unidos estão “muito próximos” de um acordo comercial inicial. Isso se somou ao otimismo de sexta-feira, quando os presidentes de ambos os países reiteraram seu desejo de um acordo comercial, ajudando o índice de referência da Europa a registrar seu melhor dia em três semanas.

Potencial para expansão

A aquisição da Tiffany pela dona da Louis Vuitton pode ajudar as duas companhias a expandir para novos territórios e segmentos. “Há sinergias significativas em marketing e mercado imobiliário (lojas) que poderiam ser desbloqueadas”, escreveu o analista Edward Yruma, do banco americano KeyBanc, quando a primeira proposta foi feita, em outubro.

O negócio pode ajudar o grupo LVMH a expandir sua atuação no segmento de joias, assim como já aconteceu em outros negócios. A LVMH já comprou em 2011 a merca de jóias italiana Bulgari por 3,7 bilhões de euros, em um negócio que seu controlador, Bernard Arnault, chamou de “transformacional”.

Fundada em 1881, a Bulgari diversificou o portfólio de produtos de luxo da LVMH e, unindo seu renome à grande cadeia do grupo francês, conseguiu expandir sua atuação em mercados emergentes e na Ásia.

Pelo lado da Tiffany, a parceria com o LVMH poderia ajudá-la a expandir sua atuação para novos mercados fora dos Estados Unidos, sua terra-natal. O LVMH vem expandindo sua atuação na Ásia, sobretudo na China, que, em vista de seu alto crescimento econômico, tornou-se a galinha dos ovos de ouro do mercado de luxo no mundo. Segunda maior economia do mundo, a China vem puxando o crescimento de produtos de luxo nos últimos anos e já tem um terço desse mercado, segundo a consultoria Bain&Co.

A Tiffany não quer mais ser conhecida como uma marca de luxo. No início da semana, o presidente da empresa, Alessandro Bogliolo, disse que tenta evitar a palavra “luxo”. No lugar, prefere que a Tiffany seja conhecida como uma marca “legendária”. Com a aquisição bilionária, esse futuro pode estar próximo.