Com ajuda externa, IBovespa avança guiado por Petrobras

O quadro benigno em bolsas no exterior favorecia os ganhos no último pregão de um trimestre bastante desafiador por incertezas políticas e econômicas

O tom positivo prevalecia na Bovespa nesta quarta-feira, guiado pela disparada das ações da Petrobras após a companhia anunciar na noite da véspera aumento dos preços da gasolina e do diesel nas refinarias.

O quadro benigno em bolsas no exterior favorecia os ganhos no último pregão de um trimestre bastante desafiador por incertezas políticas e econômicas, expectativa de alta do juro norte-americano e apreensão com desaceleração na China.

Às 11h12, horário de Brasília, o Ibovespa subia 2,35 por cento, a 45.170,07 pontos. O volume financeiro na sessão somava 1,4 bilhão de reais.

Apesar da alta desta sessão, o índice de referência do mercado acionário brasileiro caminha para fechar o mês e o trimestre com perdas. Caso a bolsa feche na pontuação acima, setembro terminaria com queda de cerca de 3,5 por cento e o terceiro trimestre com recuo de pouco mais de 15 por cento – o pior desempenho trimestral desde o segundo trimestre de 2013.

No exterior, os pregões na Europa avançavam com corte de imposto na China sustentando montadoras de veículos e a empresa de commodities minerais Glencore saltando quase 14 por cento após dizer que não tem problemas de liquidez. O FTSEurofirst 300 subia 2,4 por cento.

Wall Street também abriu em alta, com o S&P 500 ganhando 1,44 por cento, após dados melhores do que o esperado sobre as contratações no setor privado divulgadas pela ADP em setembro.

Na cena doméstica, além do reajuste de combustíveis anunciado pela Petrobras, agentes financeiros também repercutem pesquisa sobre avaliação da presidente Dilma Rousseff e seu governo, que mostrou um panorama ainda negativo.

Também está no radar dos investidores a análise de vetos presidenciais pelo Congresso Nacional e o anúncio da reforma ministerial.

Destaques

PETROBRAS disparava 8,3 por cento nas ações preferenciais e de 7,9 por cento nos papéis ordinários, após a estatal anunciar na noite de terça-feira aumento de 6 por cento nos preços da gasolina e de 4 por cento no diesel nas refinarias a partir desta quarta-feira.

Vários analistas consideraram ao anúncio surpreendente. Para o BTG Pactual, a “decisão é positiva e dá um pequeno fôlego e algum tempo pra companhia tomar as decisões que realmente podem fazer diferença, como corte de custos e venda de ativos”. Na máxima até o momento, Petrobras PN ganhou mais de 10 por cento.

COSAN saltava 5 por cento, também impulsionada pelo anúncio de reajuste de combustíveis pela Petrobras. O Credit Suisse destacou que a notícia é positiva para o setor de açúcar e etanol, destacando que calcula um aumento de 3,5 por cento no preço da gasolina nas bombas, levando a uma estimativa de que o preço do etanol hidratado para os produtores vai subir em cerca de 5 por cento.

Além disso, os analistas calculam que o preço do etanol anidro, que é adicionado na gasolina, deve seguir o preço do etanol hidratado. Ainda assim, a equipe do Credit Suisse pondera que o setor é afetado negativamente pelo aumento do diesel, uma vez que cerca de 12 por cento dos custos de produção são relacionados ao combustível.

BRADESCO e ITAÚ UNIBANCO avançavam 1,3 e 1,6 por cento, respectivamente, beneficiados pela melhora de apetite a risco que favorecia a bolsa brasileira, dada a relevante fatia que ambos detêm no Ibovespa.

VALE tinha alta de 1,7 por cento nas preferenciais de classe A e de 1,9 por cento nas ordinárias, acompanhando a tendência positiva na Bovespa, a despeito do declínio dos preços do minério de ferro à vista na China.

SUZANO PAPEL E CELULOSE e FIBRIA figuravam entre as poucas perdas do Ibovespa nesta quarta-feira, com recuos de 0,8 por cento cada, seguindo o declínio do dólar frente ao real, com a cotação voltando a ser negociada abaixo de 4 reais.

Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em (Edição Alberto Alerigi Jr.)