Clientes da Unick Forex fazem abaixo-assinado em defesa da empresa

Empresa foi alvo de operação da Receita e da PF na semana passada sob acusação de montar uma pirâmide financeira com até um milhão de pessoas

Investidores da Unick Forex, que foi alvo de operação da Receita e da Polícia Federal na semana passada sob acusação de montar um esquema de pirâmide financeira com até um milhão de clientes, lançaram um abaixo-assinado na internet em defesa da empresa, culpando o governo e a mídia pelos problemas e pedindo a volta das operações. O manifesto já conta com cerca de 9 mil assinaturas. Os diretores da empresa foram presos e a Unick está sob investigação, com seus bens e contas bloqueados pela Justiça.

Ignorando as investigações da polícia e da Receita, os clientes dizem que “querem reforçar a inocência das atividades” que a Unick “vem desenvolvendo juntamente com seus clientes e trazendo bom material e conteúdo de aprendizagem bem como seus produtos comercializados na plataforma”. Os organizadores do abaixo-assinado dão a entender que seria uma forma de obter de volta o dinheiro aplicado. “Vamos contra o Governo e em Favor da Unick”, diz um deles.

A Unick Forex dizia vender cursos de mercado financeiro, mas na prática oferecia investimentos com retorno de 100% em seis meses, conforme mostraram investigações da Polícia Federal e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O ganho, dizia a empresa, viria da participação nas vendas dos pacotes educacionais, que poucos investidores chegaram a ver e muitos nem sabiam que existiam, já que o que interessava mesmo era o rendimento muito acima de qualquer opção do mercado.

Além disso, havia comissões na indicação de novos investidores. Quem indicava recebia parte das aplicações que o indicado fazia, bem como dos outros investidores que o indicado conseguisse, o que permitia a formação de redes, como em um sistema de marketing multinível.

No caso, porém, o sistema era voltado apenas para captar mais adeptos para o esquema com a atratividade do retorno, e não vender produtos como ocorre em empresas como Avon, Natura ou Tupperware, e nas quais o ganho é infinitamente menor e não é garantido, como alegava a Unick. Líderes de redes, os diamantes, incentivavam seus comandados a conquistar novos clientes, ostentando carros de luxo, barcos, viagens. Os que conseguiam mais adeptos podiam ainda ganhar prêmios como carros, motos e relógios de luxo.

Muitos investidores em grupos de Whatsapp ainda acreditam que a empresa realmente tinha condições de cumprir o que prometia e têm esperanças de que ela pagará os compromissos ou pelo menos devolverá o dinheiro investido, apesar de a Polícia Federal e a Receita terem encontrado uma parcela ínfima do valor devido nas contas da empresa. Foram localizados, porém, R$ 200 milhões em contas de pessoas ligadas à Unick e mais R$ 50 milhões em criptomoedas, dinheiro que era usado em alguns pagamentos quando a pressão dos investidores crescia e mantinha a esperança dos demais.

Para esses investidores que organizaram o abaixo-assinado, porém, o atraso nos pagamentos, de quase três meses antes da ação da PF, foi provocado por fraudes que a empresa estaria investigando. “No atraso de pagamentos referentes a cancelamentos”, dizem os defensores da Unick, “a empresa ainda vinha mapeando associados que haviam fraudado seu sistema para poder obter lucro fácil, lesando assim muitos clientes”, diz o texto. “Toda a demora foi compreensível, mas muitos clientes também se utilizaram de má-fé, aproveitando-se do momento de lesa”.

O texto culpa também a mídia que, “em massa trouxe falsas acusações nesta questão”, o que teria provocado a ação da PF. Para o grupo de clientes, a empresa “podendo ter liberdade de trabalhar com suas atividades que não estão ilegais poderá ainda cumprir com suas obrigações junto aos seus associados e com todos que ainda confiam na empresa e contam com a ferramenta de trabalho oferecida pela mesma e devolver o que for devido para todos que assim desejarem”. “Contamos que seja a ‘justiça’ feita”, conclui a nota.