Citigroup corta preço-alvo da Petrobras, mas vê alta no longo prazo

Não importa o modo como olhamos para a Petrobras, nós vemos isso como uma entrada no setor de petróleo

São Paulo – O Citigroup manifestou-se pela primeira vez depois da capitalização da Petrobras em relatório nesta terça-feira (26), reiterando seu otimismo com a ação no longo prazo. O banco reforçou sua recomendação de compra dos ADRs (American Depositary Receipt) da estatal, mas revisou para baixo seu preço-alvo.

Os papéis ordinários foram reduzidos de 62 dólares por ação para 50 dólares, enquanto papéis preferenciais tiveram seu preço-alvo reduzido de 54,25 dólares para 43,75 dólares. Segundo o analista Pedro Medeiros, as mudanças incorporam a conclusão de sua oferta de capital de US$ 71 bilhões e a aquisição de US$ 43 bilhões em direitos de produção de 5 bilhões de barris de petróleo.

Curto prazo versus longo prazo

Ao contrário da enxurrada de avaliações enfaticamente negativas sobre os papéis da estatal, o Citi continua a apostar na exposição aos ativos da Petrobras. “Não importa o modo como olhamos para a Petrobras, nós vemos isso como uma entrada no setor de petróleo”. 

Para o analista, as perspectivas são um pouco mais estreitas no curto prazo, com o cenário inseguro pós capitalização, ressaltado pelas questões eleitorais e o rebalanceamento do Ibovespa.

 “Acreditamos que os investidores continuam preocupados com a capacidade da empresa de superar o financiamento para seu programa de investimentos, à luz de como se comportarão os preços das commodities, a execução dos projetos e os riscos políticos durante os próximos anos”, dispara.

Porém, no longo prazo, o mal da capitalização começará a ser convertido em bons frutos. “Acreditamos que a Petrobras deverá superar o desempenho da média do mercado a longo prazo”, prevê o Citi. A cotação do petróleo deve favorecer a valorização dos ativos, diz o banco, que também ressalta que a estatal é altamente alavancada na cotação da commodity.

Outro fator positivo é o perfil de expansão da produção da companhia. “A visão é baseada na capacidade da Petrobras de captar retornos semelhantes sobre os contratos de partilha de produção”, finaliza o analista.