Cielo vive calma antes de tormenta na bolsa, dizem analistas

Papéis já precificam o futuro da empresa, que está cheio de obstáculos

São Paulo – As ações da Cielo (CIEL3) precificam totalmente o futuro, mas podem enfrentar obstáculos pela frente por conta da concorrência, aponta o banco Santander em uma análise. “Segundo nossa expectativa, a Redecard deve reagir e recuperar participação de mercado no segundo semestre de 2012, em um cenário incluindo apenas a empresa [sem o Itaú]”, ressaltam os analistas Henrique Navarro e Renato Schuetz, em relatório.

Eles rebaixaram a recomendação para os papéis de manutenção para abaixo da média do mercado. O preço-alvo passou de 54,60 reais para o final de 2012 a 64 reais para o final de 2013, mas o potencial de valorização, de 9%, é baixo quando comparado com o valor negociado atualmente em bolsa. “A nosso ver, as ações da Cielo estão totalmente precificadas e o caminho à frente está repleto de obstáculos, devido ao aumento da concorrência”, destacam.

Se o caminho já é difícil com a Redecard, pior será caso o Itaú obtenha sucesso em sua oferta de fechamento de capital. Com isso, a concorrente ganharia ainda mais poder de fogo para ganhar mercado e ofertar outros produtos bancários, como contas bancárias integradas de PMEs (Pequenas e Médias Empresas) e redução das despesas operacionais.

“Neste segundo cenário, apesar de não projetarmos nenhuma grande ruptura em nosso cenário para os adquirentes (ou seja, sem guerra de preços em relação às taxas de descontos comerciais). Poderíamos considerar a Redecard como uma concorrente mais difícil”, ressaltam. As ações da Cielo acumulam alta de 48% em 2012, contra 20% da Redecard (RDCD3). Vale lembrar que os papéis da Redecard têm respeitado um teto de 35 reais, valor da proposta lançada pelo Itaú.