Cielo agrada, mas é preciso cuidado, diz analista

Recente resultado surpreendeu o mercado, mas próximos trimestres reservam obstáculos, projeta Planner

São Paulo – Após surpreender o mercado positivamente com seu resultado do terceiro trimestre, a Cielo (CIEL3) ganhou elogios da Planner Corretora, que reforçou a recomendação de compra dos papéis.

O analista Luiz Caetano explica em relatório que o otimismo com a maior processadora de meios de pagamento do país tem respaldo nos bons fundamentos da empresa.

“Acreditamos que a recente queda das ações, mesmo com a relativa recuperação em novembro, mostra uma oportunidade de entrada nestes papéis”, avisa Caetano. O preço-alvo por ação é de 61 reais, um potencial de valorização de aproximadamente 13%.

No entanto, os próximos trimestres devem ser desafiadores para a companhia, devido ao desempenho ainda modesto da economia brasileira e também pelo aumento da competição dentro do setor, conforme projeta o relatório.

“Apesar de reconhecermos as boas perspectivas para o setor de cartões brasileiro, enxergamos um ambiente macroeconômico interno desfavorável, com a economia brasileira se recuperando de forma gradual, o que tende a limitar a expansão do segmento”, adverte Caetano.

Ele explica que o resultado da Cielo deverá ser negativamente impactado nos próximos anos, devido à entrada de novos concorrentes como Elavon, Global Payment, Santander/Getnet.


A própria Cielo estima uma redução de 5 a 7 pontos base na taxa de desconto cobrada dos lojistas até o final de 2013, o que implica em uma redução de aproximadamente R$ 12 bilhões de faturamento anual, além de perder entre 15% a 20% de participação de mercado nos próximos três anos.

“Além disso, não podemos deixar de comentar a saída da Redecard, principal concorrente da empresa, do mercado acionário. Dessa forma, a Cielo será a única empresa do setor a divulgar seus números, porém não terá acesso às informações de seus concorrentes, o que enxergamos como uma desvantagem”, diz o analista.

Terceiro trimestre

A Cielo lucrou 589 milhões de reais no terceiro trimestre de 2012, uma alta de 7,3% ante o período imediatamente anterior. O resultado ficou acima das previsões de cinco analistas obtidas pela Reuters, de 578,8 milhões de reais.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2011, o lucro da Cielo cresceu 28,7%. As despesas financeiras caíram fortemente no trimestre, enquanto a receita subiu a um ritmo ligeiramente mais lento do que os custos e despesas.