China é mais atrativa do que outros mercados para IPOs

Maior liquidez colabora para que as companhias conquistem um retorno até 10 vezes superior em comparação com outros mercados

São Paulo – Abrir capital nas bolsas de valores da China pode ser mais atraente em relação as demais bolsas de valores do mundo. A afirmação é de Tokushi Tatsuhito, diretor-geral da área de investment banking da CITIC Securities. Durante o 1º Fórum do Mercado de Capitais Brasil-China, realizado nesta terça-feira (22), em São Paulo, o executivo destacou a forte liquidez presente no mercado chinês e o retorno conquistado pelas companhias quando estreiam suas ações nas bolsas de valores do país asiático.

A China é atualmente o maior mercado do mundo em termos de liquidez. Cerca de 49 bilhões de dólares são negociados por dia, em média,nas bolsas de Xangai e Shenzhen. Zhang Xiao Ming, diretor-geral da China International Capital Corporation (CICC), relembra que dos 10 maiores IPOs (Ofertas Públicas Iniciais, na sigla em inglês) já feitos no mundo, quatro ocorreram na China. O maior já efetuado no país foi do Agricultural Bank of China que, no ano passado, captou 22 bilhões de dólares durante sua estreia nas bolsas de Xangai e Hong Kong.

“A CICC participou dos 10 principais IPOs feitos no mercado chinês. Já superamos o Goldman Sachs e o Morgan Stanley quando o assunto é abrir o capital nas bolsas chinesas. E, levando em conta o potencial de retorno das empresas por conta da forte liquidez em nossos mercados, fica claro perceber como as bolsas da China estão cada vez mais atrativas”, afirmou Zhang Xiao.

Ingressando na China

A SSE (Shanghai Stock Exchange, a bolsa de valores de Xangai) vai lançar uma nova plataforma internacional no segundo trimestre deste ano para permitir o IPO de companhias estrangeiras, mas ainda o sistema deverá ser aprovado pelos órgãos reguladores da China. “Apesar disso, muitas companhias já estão nos procurando”, afirmou Xiao, da CICC, sem revelar quais empresas têm demonstrado interesse em abrir capital por lá. O executivo disse que as companhias levarão um determinado tempo para terem suas ações negociadas na Bolsa de Xangai até que a nova plataforma internacional entre em operação.

Jeitinho chinês

Por outro lado, caso a companhia “tenha pressa” e queira imediatamente abrir seu capital na China, ela pode optar pela Bolsa de Hong Kong, que já possui uma plataforma internacional. A BM&FBovespa já possui parceria com a Bolsa de Hong Kong que permite a dupla listagem para que empresas tenham ações nas duas praças. A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, anunciou em setembro a listagem dos seus papéis na bolsa de Hong Kong.