Cerveja pode ficar 5% mais cara ao consumidor e HSBC rebaixa ação da AmBev

Taxa de crescimento do volume deve recuar em 2012, afirmam analistas

São Paulo – As ações da AmBev (AMBV4) podem ser afetadas pelo aumento dos impostos recolhidos para as bebidas frias, ressaltam os analistas do HSBC em um relatório. As vendas de cerveja e refrigerante no Brasil respondem por 69% das receitas. A recomendação neutra para os papéis foi reiterada e o preço-alvo cortado de 81 reais para 80 reais.

“A empresa dispõe do valor patrimonial da marca para auxiliar o repasse do aumento de imposto para os consumidores, em nossa opinião, porém sua taxa de crescimento do volume deve recuar, reduzindo ligeiramente os lucros em 2012 e ainda mais em 2013”, afirmam Lauren Torres e James Watson, que assinam a análise.

“Embora os fundamentos da empresa continuem sólidos, a avaliação das ações da AmBev parece totalmente precificada, em nossa opinião”, dizem. Segundo eles, a empresa deverá implementar um aumento de preços de 5% para os consumidores para compensar o impacto da alta do imposto que, na cerveja chegará a 27% a partir de outubro.

Em 2011, quando o imposto aumento 11% sobre a cerveja, a AmBev elevou os preços em 2%. Para o banco, a empresa ainda está formulando a melhor maneira de aumentar os preços. “Segundo nossa expectativa, a empresa deve repassar totalmente a alta de imposto aos consumidores, como fez nos aumentos anteriores”, ressaltam.

Argentina

O Deutsche Bank também diminuiu o preço-alvo das ações de 76,15 reais para 71 reais. A recomendação foi mantida em manutenção. Os analistas Jose Yordan e Rebeca Sanchez Sarmiento relatam que em uma visita recente à Argentina encontraram um ambiente deteriorado e que pode afetar as vendas no país.

O banco ressalta que várias fontes estimam uma queda dos volumes entre 7% a 8%. A Argentina responde por 10% das vendas da empresa, segundo estimativas do Deutsche. A AmBev não separa as receitas dos países da divisão da América Latina Sul.