Cenário doméstico derruba Bovespa na abertura

O mercado acionário doméstico deve renovar os patamares mínimos, buscando níveis de abril de 2009, já na casa dos 47 mil pontos

São Paulo – Ao invés da aparente lateralidade que prevalece nos mercados internacionais nesta manhã em meio à expectativa pela reunião do Federal Reserve, a Bovespa abriu o pregão desta terça-feira, 18, com queda acentuada.

Por volta das 10h05, o Ibovespa caía 0,73%, aos 48.728,69 pontos, na mínima desde a abertura. Com isso, o mercado acionário doméstico deve renovar os patamares mínimos, buscando níveis de abril de 2009, já na casa dos 47 mil pontos.

Profissionais consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apontam para fatores domésticos capazes de desviar o foco dos investidores do cenário externo e que têm provocado uma fuga dos ativos nacionais de risco, içando a taxa de câmbio no Brasil e fazendo as taxas de juros futuros dispararem.

“A Bolsa é coadjuvante nesta história e está apenas refletindo o movimento esticado do dólar e DIs”, comenta um operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista. “Virou um círculo vicioso”, completa.

Por volta das 10 horas, o dólar à vista negociado no balcão valia R$ 2,179, depois de bater a cotação máxima a R$ 2,185, pela manhã, acionando um novo leilão de swap tradicional, promovido pelo Banco Central.

Já o DI para janeiro de 2014 tinha taxa de 8,95%, de 8,88% no ajuste de ontem. Na curva a termo, o mercado financeiro indica uma taxa Selic acima de 10% ao final deste ano.


O gerente da mesa de renda variável da Fator Corretora, Frederico Lukaisus, avalia que as recentes manifestações ocorridas em todo Brasil e que têm ganhado páginas de capa nos principias jornais e agências de notícias do mundo estão ajudando a elevar o estresse dos mercados domésticos e a aversão ao risco.

“Isso faz com que os investidores continuem com perfil defensivo em relação ao Brasil”, diz. Para ele, “o nervosismo das ruas está chegando nos mercados e é tudo reflexo da ‘barbeiragem’ do governo, não só na economia”.

No exterior, por sua vez, o clima é de certa calmaria, com os mercados financeiros caminhando em compasso de espera, antes do anúncio da decisão de política monetária do Fed, previsto para amanhã. Ainda no mesmo horário, em Wall Street, o futuro do S&P 500 subia 0,06%, já digerindo os dados sobre inflação ao consumidor nos Estados Unidos e também os números referentes ao setor de construção civil.

Mas a expectativa recai na reunião de dois dias do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que começa nesta terça-feira. Já na Europa, as principais bolsas oscilam entre margens estreitas, sem viés definido.