Cautela no exterior faz juro futuro fechar em queda

Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 estava na mínima em 7,26%

Por Nalu Fernandesão Paulo – No mercado de juros futuros, as taxas apresentaram queda em grande parte da curva a termo nesta sexta-feira, em reação à piora do sentimento dos investidores no exterior. O recuo ante os ajustes da véspera foi mais pronunciado nos contratos longos, mas o horizonte de curto prazo também cedeu, ainda que levemente. No ambiente externo, os investidores mostram preocupação sobre um possível rebaixamento do rating da Espanha pela Moody’s Investors Service, ainda nesta sexta-feira.

Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (234.425 contratos) estava na mínima em 7,26%, de 7,28% no ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (228.135 contratos) marcava 7,71%, ante 7,74% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (40.755 contratos) indicava 9,06%, de 9,09% ontem. O DI janeiro de 2021, com giro de 3.105 contratos, apontava 9,71%, ante 9,76% no ajuste.

No último dia útil de setembro, a taxa do janeiro de 2014 marca 7,71%, ante o nível de 7,81% registrado ao final de agosto, diante da potencial manutenção da taxa Selic em patamar baixo no horizonte do próximo ano. “O Relatório de Inflação veio conservador, mas o cenário externo é uma variável importantíssima e está pesando sobre o mercado. Ainda a maior parte das apostas indica Selic inalterada no próximo mês, mas a piora no exterior aumenta a probabilidade de queda de 0,25 ponto porcentual”, citou um operador.


O cenário externo se sobrepôs às divulgações domésticas. Mas o mercado, mencionou o profissional, começa a se preocupar com o nível da meta de superávit primário. “Não cumprir 3,1% não seria uma catástrofe, mas seria ruim”, avaliou. De acordo com o Banco Central, o setor público consolidado registrou em agosto R$ 2,997 bilhões de superávit primário. No acumulado do ano até agosto, o superávit primário do setor público foi de R$ 74,225 bilhões, o equivalente a 2,56% do Produto Interno Bruto (PIB).

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) avançou 2,9% na passagem de agosto para setembro, na série com ajuste sazonal, informou mais cedo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo IBGE, subiu 0,53% em agosto ante julho. Até o mês passado, o IPP acumula altas de 5,59%, no ano, e de 7,53%, em 12 meses.

Os investidores mostram cautela com a elevação da taxa de retorno (yield) do bônus de 10 anos da Espanha, que voltou a superar 6%, em face do potencial rebaixamento do rating do país pela Moody’s. Já o resultado dos testes de estresse dos bancos espanhóis foi considerado “um passo importante” para a restauração da confiança no setor bancário do país, na avaliação da Comissão Europeia. Os testes de estresse independentes indicam que a necessidade de capital dos bancos da Espanha está na casa dos 60 bilhões de euros.