Caso Moro tem pouco impacto na Bolsa

Bolsa deve permanecer volátil no curto prazo e com foco no andamento da reforma da Previdência

São Paulo – O Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, abriu o pregão em leve queda na manhã desta segunda-feira (10). Por volta das 10h30, o índice operava em baixa de 0,35% aos 97 mil pontos. No mercado de câmbio, o dólar subia 0,30% sendo vendido por R$ 3,88.

O mercado repercute as reportagens publicadas na véspera pelo site Intercept, que mostram que Sérgio Moro, Ministro da Justiça, combinou com Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato no Ministério Público Federal, estratégias de investigação para implicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em atos criminosos.

O jornalista responsável pelo Intercept, Glen Greenwald, afirmou ter recebido o material de  fonte anônima e que tem ainda áudios, vídeos, fotos e documentos não divulgados. O Ministério Público Federal divulgou nota afirmando ter sido vítima de um ataque hacker.

Em relatório divulgado a clientes, André Perfeito, o economista-chefe da corretora Necton, destacou que não existe a menor chance do julgamento de Lula ser anulado e sendo assim os efeitos no mercado financeiro são limitados. Contudo, o vazamento de áudios e outros materiais futuramente podem colocar fogo no clima político que parecia estar se estabilizando.

Para os analistas da XP Investimentos, o caso deve ter repercussões adicionais e coloca em xeque a permanência de Moro no ministério da Justiça. Já a equipe de analistas da Rico Investimentos se mostra mais cautelosa dizendo que até agora nada mudou de fato, mas a Bolsa pode permanecer volátil no curto prazo já que os fatos podem impactar no andamento da reforma da Previdência. Está marcado para próxima quinta-feira o parecer do relator da reforma da Previdência.

Os analistas destacam ainda que quedas mais fortes na Bolsa podem servir como oportunidade de entradas, se os fundamentos mantiverem-se como estão. “Seguimos otimistas com Bolsa no longo prazo por termos em nosso cenário-base a aprovação de uma reforma da previdência significativa o bastante para resolver nosso problema fiscal de curto e médio prazo e dessa forma destravar a economia.”

Cenário externo

Pesava sobre o Ibovespa também o otimismo sobre oriundo do mercado externo. O acordo entre México e Estados Unidos, assinado no final da última sexta-feira, onde o país latino-americano se propôs a reforçar a fiscalização contra o fluxo de imigrantes ilegais, em troca da suspensão de tarifas de importação, que entrariam em vigor nesta segunda-feira, trouxe ânimo ao mercado.

Na Ásia, as bolsas também responderam bem  à surpresa positiva com o volume de exportações da China em maio, ainda que as importações tenham caído, limitando a reação de Shanghai. As expectativas de queda dos juros na Europa e nos Estados Unidos também contribuem de forma positiva no desempenho dos ativos de renda variável hoje.