Carrefour estreia na Bolsa com maior IPO dos últimos 4 anos

A operação movimentou, no total, 5.125 bilhões de reais, incluindo a venda de novas ações emitidas pela empresa

São Paulo – O Carrefour estreou na bolsa brasileira nesta quinta-feira com o maior IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) dos últimos quatro anos, movimentando mais de 5 bilhões de reais.

O grupo varejista levou para o prédio da B3 as prateleiras, os carrinhos e alguns produtos de seus supermercados para marcar o que, segundo o empresário Abilio Diniz, é um momento de transformação da empresa.

“Não vamos fazer mais do mesmo. É impossível fazer mais do mesmo e esperar que dê certo”, disse Abilio, que comandou por anos o concorrente Pão de Açúcar é hoje é um dos sócios do grupo, além de membro do conselho de administração.

Abilio disse que sempre admirou o Carrefour e que está satisfeito de ter feito parte da abertura de capital da empresa. “Quando começamos, todos disseram não acreditar que faríamos um IPO dessa dimensão no Brasil de hoje.”

Para o empresário, o “sucesso da operação” demonstra a força do Brasil, independentemente das incertezas políticas que rondam o país. “Esse IPO é a prova de que o Brasil é mais forte”, disse ele. “Nós precisamos acreditar mais no país. Se gente de fora acredita nele, por que nós ainda temos dúvidas?.”

Pregão

Os papéis da companhia estrearam em queda de cerca de 4%, mas as perdas foram reduzidas durante a manhã.  

As ações foram precificadas nesta semana a 15 reais, valor mínimo da estimativa da companhia, que esperava até 19 reais por papel.

A operação movimentou, no total, 5.125 bilhões de reais, incluindo a venda de novas ações emitidas pela empresa e uma parte dos papéis que estavam na mão de sócios.

A maior parte dos investidores que participou da aquisição é brasileira e norte-americana. Os dois grupos concentraram aproximadamente 90% das compras. Os 10% restantes foram divididos entre investidores de Ásia e Europa, segundo apurou a Agência Estado.

Os recursos obtidos com o IPO serão usados pela companhia para reduzir a dívida com a sua controladora francesa e para capital de giro.