CÂMBIO-Dólar reage a cena externa e sofre ajuste, com leve alta

SÃO PAULO, 4 de outubro (Reuters) – O dólar subia
ligeiramente ante o real nesta segunda-feira, acompanhando a
tendência do mercado externo após uma queda acumulada de 2,3
por cento no Brasil nos últimos sete dias.

O mercado reagia de forma tímida à confirmação de que
haverá segundo turno nas eleições presidenciais do país.

Às 10h43, a moeda norte-americana exibia alta de
0,24 por cento, a 1,685 real. No mesmo horário, o dólar subia
0,30 por cento ante uma cesta com as principais moedas .

A alta do dólar no mercado global estava relacionada a
preocupações com a zona do euro. O banco central da Irlanda
afirmou que a economia do país deve ficar estagnada neste ano.

Outro fator monitorado era a declaração de Charles Plosser,
presidente do Federal Reserve da Filadélfia, de que o banco
central norte-americano não deveria lançar uma nova rodada de
estímulos sem estabelecer um objetivo claro [ID:nN0453437].

“O dólar vem muito fraco e acaba sofrendo uma correção.
Ainda há espaço para um ajuste”, disse José Carlos Amado,
operador de câmbio da corretora Renascença.

No Brasil, a confirmação de segundo turno não levava
volatilidade ao mercado. Para o operador de um banco dealer de
câmbio, que preferiu não ser identificado, isso não deve mudar
a tendência de queda do dólar, que passa nesta sessão apenas
por uma correção “pontual”.

Ele alertou, porém, para a possibilidade de que eventuais
medidas do governo contra a valorização do real fiquem para
depois. “Na teoria, não deveria mudar a expectativa, mas o
segundo turno retarda um pouco ações do governo que podem ser
tomadas”, disse, em referência a possíveis compras de dólar
pelo Fundo Soberano o aumento do imposto sobre a entrada de
capital estrangeiro para ações e renda fixa.

Para Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes
das Américas do Nomura Securities, “é altamente improvável que
novas medidas sejam anunciadas durante a campanha para o
segundo turno, o que pode favorecer a queda do dólar.”

Não há unanimidade sobre o ritmo de queda, porém. Para
analistas do HSBC, que não descartam uma intervenção maior nos
próximos dias, é possível que haja volatilidade.

“O risco é que a recente apreciação do real se torne um
tema mais proeminente no último mês de campanha, trazendo
promessas contra a queda do dólar e, portanto, uma continuação
do ruído.”

(Reportagem de Silvio Cascione e Mariane Pinho; Reportagem
adicional de Guillermo Parra-Bernal; Edição de Daniela
Machado)