CÂMBIO-Dólar deve manter curta faixa de oscilação em dezembro

(Texto atualizado com mais detalhes e perspectivas para
dezembro)

Por José de Castro

SÃO PAULO, 30 de novembro (Reuters) – O mercado de câmbio
deve continuar atento ao cenário externo em dezembro, em meio
aos desdobramentos da crise na Europa, com analistas apostando
que o dólar continuará operando numa estreita faixa de
oscilação.

Nesta terça-feira, a divisa fechou em queda de 0,58
por cento, a 1,714 real, em meio a ajustes em dia de formação
da Ptax que serve referência para a liquidação de contratos
futuros. No mês, a cotação acumulou alta de 0,65 por cento, mas
no ano está em baixa de 1,66 por cento.

Os ingressos de recursos que impediram uma valorização
maior da moeda norte-americana neste mês devem diminuir em
dezembro, uma vez que nesse período geralmente há uma maior
remessa de lucros ao exterior.

“Acredito que vai continuar nessa faixa de 1,70 (real).
Claro que se as coisas na Europa piorarem podemos ver o dólar
dar uma puxada aqui, mas de maneira geral (a cotação) não tem
muita força para subir ou cair”, disse José Roberto Carreira,
gerente de câmbio da Fair Corretora.

Na avaliação de Carreira, o mercado como um todo será mais
“preguiçoso” no próximo mês, com os volumes diminuindo conforme
o final do ano se aproxima.

“Dessa forma, não tem muito para onde o dólar ir. Lá fora,
temos a Europa em crise, mas aqui tem muito investidor vendido
em dólar (apostando na queda da moeda) e as forças se anulam”,
afirmou.

Dados da BM&FBovespa relativos à véspera mostram os
investidores não-residentes sustentando mais de 12 bilhões de
dólares em posições vendidas em moeda estrangeira nos mercados
de dólar futuro e cupom cambial (DDI).

Julio Hegedus, economista da Interbolsa do Brasil, endossou
que o mercado deve continuar de olho nas turbulências no
exterior, mas ainda acredita que a tendência para o dólar no
médio prazo é de queda contra o real.

“A Europa preocupa, e todo final de ano é um pouco mais
complicado, porque você geralmente costuma ver mais remessas de
lucros para fora”, afirmou. “Mas por aqui o mercado está cada
vez mais apostando numa política monetária mais apertada, e
isso de fato colabora para fazer o dólar cair”, acrescentou.

Os players domésticos vêm reforçando expectativas de uma
elevação da Selic no início de 2011, com alguns inclusive
acreditando num aperto monetário já na próxima reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 7 e 8 de
dezembro.

No entanto, segundo Hegedus, a moeda norte-americana tem
espaço de baixa limitado, já que um movimento mais intenso de
apreciação do real pode trazer à tona perspectivas de novas
medidas sobre o câmbio por parte do governo.

“O nível de 1,70 (real) é a linha divisória. Sempre que o
dólar cair abaixo disso o mercado vai ficar de olho em novos
ruídos de ações para frear a baixa do dólar.”