CÂMBIO-Dólar avança ante real com ajustes no exterior

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 26 de outubro (Reuters) – O dólar permaneceu
acima de 1,70 real pelo terceiro dia consecutivo, acompanhando
ajustes no mercado internacional a uma semana da reunião do
Federal Reserve que deve anunciar mais estímulos monetários à
economia dos Estados Unidos.

A moeda norte-americana subiu 0,29 por cento nesta
terça-feira, a 1,706 real. Enquanto o mercado local fechava, o
dólar tinha alta de 0,9 por cento ante uma cesta com as
principais divisas e o euro caía 1 por cento.

“(O mercado) acompanhou o movimento do dólar mais forte lá
fora, só isso”, disse José Carlos Amado, operador de câmbio da
corretora Renascença.

A moeda norte-americana tem se desvalorizado desde setembro
pela perspectiva de que o Fed, para fazer frente à fraqueza da
atividade econômica, irá aumentar a oferta de dólares na
reunião que termina na próxima terça-feira.

O ajuste desta sessão ocorreu, de acordo com operadores,
porque ainda não está clara a extensão das prováveis medidas.

O mercado local seguiu de perto a variação do dólar no
exterior também por causa da ausência de novidades sobre a
atuação do governo brasileiro no câmbio. Repetindo a postura do
ministro da Fazenda, Guido Mantega, na véspera, o presidente do
Banco Central, Henrique Meirelles, disse que é cedo para que
novas medidas sejam tomadas [ID:nN26146812].

Na semana passada, o governo elevou o imposto incidente
sobre investimentos estrangeiros em renda fixa e aumentou a
taxação sobre as margens de garantia depositadas por
não-residentes na bolsa. Na segunda-feira, Mantega descartou a
volta do IR sobre o ganho dos estrangeiros em renda fixa.

Ainda assim, a perspectiva de que uma eventual queda do
dólar provoque nova ofensiva do governo mantém o mercado de
sobreaviso. “Por ora, o dólar continua preso perto de 1,70
real, com o mercado um pouco nervoso”, escreveu Win Thin, chefe
global de estratégia para mercados emergentes do banco Brown
Brothers Harriman, em Nova York.

No restante da semana, a proximidade do fim do mês acelera
a rolagem de contratos futuros em vencimento, o que pode gerar
alguma volatilidade. Dados da BM&FBovespa indicam que os
estrangeiros mantêm 12 bilhões de dólares em posições vendidas
na moeda norte-americana.

(Edição de Daniela Machado)