Café cai no Brasil com venda de produtores, dizem corretoras

Os preços locais acompanharam a queda internacional. O arábica negociado na ICE Futures U.S. em Nova York chegou ontem US$ 2,1095, nível mais baixo em 13 meses

Londres – Os preços do café no Brasil, maior produtor mundial do grão, caíram esta semana com os produtores vendendo a commodity após segurarem os estoques numa tentativa de impulsionar os preços, segundo as corretoras Flavour Coffee e Cazarini Trading Co.

O café fino tipo arábica foi negociado abaixo de R$ 500 a saca pela primeira vez desde agosto do ano passado, de acordo com dados da Flavour Coffee, do Rio de Janeiro. O preço do café conilon, como é chamado o robusta no Brasil, “desabou” de R$ 300 a saca para cerca de R$ 250 por saca nas últimas duas semanas, disse a Flavour.

Produtores e cooperativas seguraram as vendas à espera de preços melhores, de acordo com a Flavour. Os fazendeiros “não conseguiram manter a mesma atitude”, disse ontem a corretora em relatório por e-mail. “Os preços chegaram rapidamente a R$ 480.”

Os preços locais acompanharam a queda internacional. O arábica negociado na ICE Futures U.S. em Nova York chegou ontem US$ 2,1095, nível mais baixo em 13 meses, com especulação de aumento da oferta global com safras maiores no Brasil e no Vietnã.

“Uma semana dramática e nervosa”, escreveu Thiago Cazarini, corretor da Cazarini Trading Co., em relatório distribuído ontem por e-mail. “Os preços caíram no mercado interno, com os futuros ainda mais baixos.”

O arábica com entrega para março subiu 0,7 por cento, para US$ 2,1705 por libra peso às 8:50 na ICE Futures U.S. em Nova York. O robusta para março ganhava 1,8 por cento, para US$ 1,833 por tonelada na NYSE Liffe em Londres.

O café arábica é cultivado principalmente na América Latina e utilizado em bebidas especiais como as oferecidas pela rede Starbucks Corp. O grão robusta é colhido principalmente na Ásia e em partes da África e usado para café instantâneo e expresso. Uma saca de café tem 60 quilos.