Briga sobre Ptax sustenta volatilidade do dólar

A eventual pressão de alta sobre o dólar no começo da sessão poderá ser amenizada pelo leilão de até US$ 500 milhões em contratos de swap cambial

São Paulo – Com a questão da Síria em suspenso e a decisão do Copom alinhada às expectativas, a disputa em torno da formação da taxa Ptax de fim de agosto tende a manter o mercado de câmbio interno volátil nesta quinta-feira, 29. No exterior, por enquanto, o dólar opera em alta ante o euro, o iene e algumas moedas correlacionadas a commodities.

Contudo, eventual pressão de alta sobre o dólar no começo da sessão poderá ser amenizada pelo leilão de até US$ 500 milhões em contratos de swap cambial.

O dólar à vista abriu nesta quinta-feira em queda, cotado a R$ 2,3390 (-0,30%%) no balcão e, às 9h24, virou para o lado positivo e atingiu uma máxima de R$ 2,3540 (+0,34%). No mercado futuro, às 9h24, o contrato de dólar para setembro de 2013 estava em alta de 0,17%, a R$ 2,3525. A máxima foi de R$ 2,3550 (+0,28%) e a mínima, de R$ 2,3370 (-0,49%). A taxa de abertura foi a R$ 2,340 (-0,36%).

Os agentes de câmbio ficarão de olho sobre a atuação do Banco do Brasil. Comenta-se nas mesas de operação que a instituição vem se destacando na venda de dólares e que poderia estar atuando em nome de uma empresa estatal. Essa suposta intervenção “chapa branca” teria ajudado a enfraquecer o dólar nas últimas sessões.

O Banco Central realiza a operação diária de venda de dólares no mercado futuro das 9h30 às 9h40, com resultado a partir das 9h50. A liquidação da operação será no dia 30/08/2013.

Essa será a quarta operação de swap após o anúncio, na semana passada, do novo programa de leilões de câmbio do BC. Desde segunda-feira, o BC vendeu cerca de 30 mil contratos de swap cambial com vencimento em 02/12/2013, num montante de cerca de US$ 1,5 bilhão.

A Ptax de sexta-feira, 30, será usada para os ajustes de contratos de swap cambial e para a liquidação de contratos de derivativos cambiais, que vencem na segunda-feira, 02/09, na BM&FBovespa.


Os bancos devem tentar enfraquecer o dólar, porque estão vendidos em câmbio, enquanto os investidores estrangeiros e fundos de investimentos tentarão pressionar a moeda para o lado positivo, já que estão comprados em contratos de derivativos.

Além desse fator técnico, as decisões de negócios podem ser influenciadas por declarações da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Guido Mantega e também de presidentes regionais do Federal Reserve, como James Bullard, do Fed de Saint Louis (às 9h50), e Jeffrey Lacker, do Fed de Richmond (às 15 horas) – este com direito a voto nas decisões de política monetária do Fed.

Nos Estados Unidos, a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2013 e os dados semanais sobre pedidos de auxílio desemprego, que serão divulgados às 9h30, também devem dar uma direção para os negócios em âmbito mundial.

Em relação à Síria, enquanto os inspetores da ONU continuam a examinar as áreas supostamente atingidas por armas químicas, a organização pediu à Europa e aos EUA que entreguem as provas que alegam ter contra o regime de Bashar Assad para que possam ser avaliadas antes de qualquer ação bélica.

No mercado doméstico, a decisão do Copom de elevar a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 9% ao ano, não surpreendeu. O entendimento de vários economistas de instituições financeiras é de que a decisão do comitê de repetir a alta de 0,50 ponto porcentual da Selic e o conteúdo do comunicado da reunião de julho indicam que o Banco Central deverá manter a magnitude de elevação do juro básico em outubro, quando a taxa pode chegar a 9,5%.

A expectativa dos agentes financeiros é de que as próximas decisões do Copom serão influenciadas por vários fatores, principalmente pelo câmbio. Por isso, para a reunião de novembro do Copom não há consenso sobre o tamanho do aumento da Selic, se de 0,25 ponto porcentual ou 0,50 ponto porcentual.