Bradesco pagará dividendo extra de R$ 8 bi; ação sobe

Anúncio do banco foi “uma boa surpresa”, escreveu a corretora do Banco Safra em relatório

O Bradesco anunciou hoje que o Conselho de Administração deve aprovar a distribuição de dividendos extraordinários no valor de R$ 8 bilhões. O valor representa um dividendo por ação de R $ 0,94 para ações ordinárias (ON, com voto) e de R$ 1,04 por ações preferenciais (PN, sem voto), que representam um retorno de 3,1% sobre o valor dos papéis. O dividendo será pago em 23 de outubro e as ações perderão o direito ao ganho extra a partir de 18 de outubro.

A ação preferencial do Bradesco é o papel mais negociado hoje na B3, em alta de 0,83%, ante queda de 0,70% do Índice Bovespa, que está em 101.789 pontos. A ação é negociada a R$ 32,85.

O anúncio foi “uma boa surpresa”, diz a corretora do Banco Safra em relatório, uma vez que indica uma distribuição mais agressiva de dividendos pelo Bradesco. Segundo o Safra, se consideradas outras distribuições (juros sobre capital), o banco acredita que o Bradesco deve pagar até R $ 16 bilhões em dividendos relacionados aos resultados de 2019, representando aproximadamente 65% do lucro de distribuição (payout), acima da estimativa atual de pagamento de 40% do lucro para o ano.

Também é muito mais do que o índice de pagamentos do Bradesco nos últimos anos, que variou entre 35%

e 40% do lucro. O Safra vê essa decisão com positiva pois sugere uma estratégia mais racional de alocação de capital do Bradesco para sustentar níveis mais altos de retorno sobre ativos, como o Itaú já está fazendo. O Safra diz que continua vendo as ações do Bradesco como uma das melhores alternativas no setor bancário para o médio prazo e mantém recomendação de compra para o papel com um preço-alvo para a ação PN de R$ 42,00. O banco está sendo negociado hoje por um preço que equivale a 2 vezes seu valor contábil e 9,9 vezes seu lucro, em linha com outros grandes bancos.

Para o UBS, o dividendo extraordinário deve reduzir o Índice de Basileia de nível I do banco em 1,10 ponto percentual. O índice mostra o quanto o banco tem de patrimônio em relação aos seus empréstimos ponderados pelo risco, quanto maior o risco, mais capital o banco tem de ter. Essa relação é definida pelo Banco de Basileia, espécie de banco central dos bancos centrais, para garantir a segurança e a solidez dos bancos.

A melhor alocação de capital também deve ter um impacto ligeiramente positivo no retorno sobre o capital (ROE) do Bradesco, diz o UBS. Considerando a previsão do UBS para 2020, ajustando-se pelo menor patrimônio (e excluindo os resultados financeiros desse montante de R $ 8,0 bilhões, utilizando a taxa Selic), a rentabilidade do Bradesco aumentaria em cerca de 0,40 ponto percentual.

O banco provavelmente melhorará ainda mais seu balanço com a reavaliação dos ativos por impostos diferidos. O aumento de 5 pontos percentuais na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que já foi aprovado na Câmara e ainda está pendente da segunda sessão de votação no Senado, provocará um impacto de compensações fiscais calculados em cerca de R $ 6 bilhões para Bradesco. E o banco provavelmente utilizará esse ganho extraordinário para reforçar seu balanço patrimonial com provisões.

O UBS tem recomendação neutra para a ação do Bradesco, com preço-alvo de R$ 40,00 e estimativa de retorno sobre o patrimônio de 20,3% para 2019 e relação preço/lucro de 9,9 vezes.

Essa notícia foi publicada originalmente no site Arena do Pavini