Bovespa segue cenário externo e tem queda de 1,69%

A onda de perdas atingiu mais fortemente os papéis ligados a commodities

São Paulo – O cenário externo pesou negativamente sobre o mercado brasileiro de ações e a Bovespa terminou a quinta-feira, 22, em queda de 1,69%, aos 65.854,93 pontos. A onda de perdas atingiu mais fortemente os papéis ligados a commodities, que acompanharam as oscilações de matérias-primas e de índices setoriais internacionais. Segundo operadores, as ordens de venda vieram principalmente de investidores estrangeiros, que recolheram parte dos ganhos recentes.

Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a 65.593,85 pontos, em queda de 2,08%. Embora o movimento tenha sido atribuído a uma realização de lucros recentes, analistas admitem haver maior cautela do investidor de renda variável diante da possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos. Depois que dirigentes do BC norte-americano defenderam uma elevação já na reunião de março, as expectativas se voltaram ao discurso que a presidente da instituição, Janet Yellen, faz amanhã.

O cenário político doméstico também é apontado como indutor de um comportamento mais precavido por parte do investidor. O noticiário envolvendo o primeiro escalão do governo é acompanhado de perto, devido ao potencial de contaminação dos mercados no caso de uma deterioração do cenário.

“A bolsa subiu muito rápido. Tínhamos expectativa de um Ibovespa em 73 mil pontos ao final de 2017, mas em dois meses ele atingiu quase 45% do nosso target. Como a velocidade foi muito rápida, uma correção era natural”, afirma o analista Marco Saravalle, da XP Investimentos.

A queda em torno de 2% dos preços do petróleo foi fator importante na desvalorização das ações da Petrobras. Os papéis da petrolífera brasileira caíram 3,53% (ON) e 2,64% (PN) e contribuíram em boa parte para as perdas do índice. Já os papéis da Vale recuaram 5,16% (ON) e 4,83% (PNA), apesar da alta de 0,3% do preço do minério de ferro no mercado à vista chinês. A explicação para a queda dos papéis da mineradora está, segundo operadores, na queda expressiva de suas pares no mercado internacionais.

A alta do dólar beneficiou empresas exportadoras, que estiveram entre as maiores altas do Ibovespa. Suzano PNA subiu 1,84%, Fibria ON avançou 1,07% e Cosan ON, 0,79%. Raia Drogasil, considerado um papel defensivo, subiu 3,27% e liderou as altas do índice.