Bovespa reduz ganhos após abertura de bolsas de NY

Ainda assim, o viés positivo se mantém e a alta da Bolsa brasileira é bem maior que a das suas pares em Wall Street

São Paulo – A Bovespa reduziu os ganhos após a abertura das bolsas em Nova York. Mas o viés positivo se mantém e a alta da Bolsa brasileira é bem maior que a das suas pares em Wall Street, devido à confirmação das especulações de ontem sobre o enfraquecimento da presidente Dilma Rousseff (PT) na última pesquisa do Ibope para a corrida presidencial.

Ainda assim, a sondagem mostrou empate técnico entre a candidata à reeleição e sua principal adversária, Marina Silva (PSB), em uma simulação de segundo turno. Às 10h36, o Ibovespa subia 0,69%, aos 59.520,87 pontos, depois de abrir em alta de mais de 1% e ultrapassar o patamar de 60 mil pontos.

Ainda assim, os ajustes iniciais dão continuidade à valorização de 2,01%, aos 59.114,66 pontos, registrada na terça-feira, 16, devido a rumores de que Marina se distanciaria muito de Dilma no segundo turno.

Como o mercado já antecipou boa parte dos ajustes ontem, o fôlego da Bolsa brasileira ao longo do dia poderá depender ainda de eventuais desdobramentos hoje do depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa à CPMI que apura irregularidades na estatal, além das especulações sobre a sondagem do Datafolha, esperada a partir de quinta-feira, 18.

As ações das empresas estatais sobem e sustentam a alta do Ibovespa, também apoiadas no Ibope. Às 10h30, Petrobras registrava alta de 3,28% na PN e de 3,25% na ON, enquanto Eletrobras tinha ganhos de 3,66% na ON e de 2,33% na PNB. Banco do Brasil, por sua vez, subia 2,11%. O Índice Bovespa, no mesmo momento, registrava alta de 0,94%, aos 59.669,20 pontos.

O Ibope mostrou que, para o primeiro turno, Dilma Rousseff (PT) caiu de 39% para 36% das intenções de voto, enquanto Marina Silva (PSB) caiu de 31% para 30%, e Aécio Neves (PSDB) subiu de 15% para 19%. Em um eventual segundo turno, Marina teria 43% contra 40% de Dilma, situação de empate técnico.

Em Wall Street, os índices das bolsas de Nova York abriram com leves ganhos, refletindo a cautela dos investidores antes do fim do encontro do Fed.

A informação divulgada pelo Wall Street Journal (WSJ) de que o Federal Reserve deve manter, no comunicado que acompanhará o anúncio da decisão, a expressão “tempo considerável” traz certo alívio aos negócios, afastando o temor de que a alta dos juros norte-americanos seja antecipada.

A inflação ao consumidor norte-americano, medida pelo CPI, segue contida e tende a afastar também a possibilidade de uma antecipação dos ajustes monetários pelo Fed. Às 10h32, o Dow Jones subia 0,09%, o S&P500 ganhava 0,10%, e o Nasdaq avançava 0,14%.

Além desse driver do dia, a agenda econômica norte-americana reserva ainda o índice NAHB de confiança das construtoras em setembro, às 11 horas. Há pouco, foi divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto, que recuou 0,2% em relação a julho, ante previsão de estabilidade.

Também saiu o saldo em conta corrente no segundo trimestre. Foi reportado que o déficit em conta caiu a US$ 98,51 bilhões no período, ante previsão de -US$ 112 bilhões.

Voltando à Bovespa, no campo corporativo, Vale operava há pouco com ligeiras baixas, apesar da injeção de liquidez no sistema financeiro chinês com o objetivo de ativar a economia e melhorar a saúde financeira dessas instituições.

O banco central da China está injetando 500 bilhões de yuans (US$ 81 bilhões) nos cinco maiores bancos estatais do país. O tamanho da injeção equivale a um corte de 0,5 ponto porcentual no depósito compulsório ao Banco do Povo da China (PBOC, o banco central chinês). Às 10h33, Vale ON caía 0,27% e a PNA, recuava 0,54%.

Os mercados de câmbio e de juros seguem voláteis. Às 10h40, o dólar à vista estava em alta de 0,17%, a R$ 2,3330, enquanto o dólar para outubro recuava 0,17%, a R$ 2,3420.

Na BM&FBovespa, por volta das 10h25, o DI para janeiro de 2015 estava na máxima, a 10,85%, no mesmo nível do ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2016 tinha taxa de 11,53%, de 11,50% no ajuste da véspera; o DI para janeiro de 2017 projetava taxa de 11,60%, nivelado ao ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 11,36%, de 11,41% após ajuste de terça-feira. Em Nova York, o juro da T-note de 10 anos caía a 2,571%.