Bovespa recua em meio a incertezas no exterior

Por Olívia Bulla

São Paulo – A volatilidade deve voltar a ser alta hoje na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por conta da falta de uma direção única nos mercados internacionais. No exterior, os investidores estão cautelosos, em meio ao temor quanto a um novo aperto monetário na China e ao receio de contágio da crise das dívidas para toda a zona do euro. No Brasil, a escalada da inflação não altera as apostas para o último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, mas renova as chances de um ciclo de alta dos juros em 2011. Às 11h21 (horário de Brasília), o índice Bovespa (Ibovespa) recuava 0,43%, aos 69.038 pontos.

As incertezas voltaram a pesar sobre os mercados no exterior, por conta do pessimismo em relação a um aumento iminente dos juros na China, após Pequim ter decidido antecipar, de segunda-feira para sábado, a divulgação de uma série de indicadores econômicos referentes ao mês de novembro, entre eles os dados de inflação. A decisão reforça as apostas de um novo aumento na taxa básica de juros chinesa já neste fim de semana, em um esforço para controlar a alta dos preços no país.

A notícia penaliza o desempenho das commodities nesta manhã e pode ter impacto negativo para setores ligados à exportação de matérias-primas, castigando o desempenho da Bovespa. Somado à isso, a aprovação do Orçamento irlandês para 2011 não mitigou os riscos na zona do euro (que reúne os 16 países que utilizam o euro como moeda). Hoje, a agenda econômica externa é fraca e traz apenas a divulgação do relatório semanal sobre estoques de petróleo bruto e derivados nos Estados Unidos.

Em relatório, o analista da UM Investimentos, Eduardo Oliveira, avalia que “a tendência inicial é a de que o mercado local opere hoje no negativo, podendo até mesmo estender essa queda ao longo do dia, caso não haja novas notícias positivas sobre Europa ou até mesmo sobre a economia norte-americana”.

Hoje, o mercado acompanha, após o fechamento dos negócios, a última decisão sobre a Selic (a taxa básica de juros da economia) no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O consenso é de manutenção da Selic em 10,75% ao ano, embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 0,83% em novembro, segundo informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tenha registrado a maior leitura mensal desde abril de 2005. Em outra divulgação de inflação, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) subiu 1,14% na primeira prévia do mês, na maior taxa desde fevereiro deste ano. Os dois indicadores reforçam as apostas de retorno do ciclo de alta dos juros brasileiros no ano que vem.