Bovespa pode fazer megaemissão de ações para comprar BM&F

Se a fusão for concretizada, BM&F e Bovespa caminhariam para se tornar uma das três grandes bolsas mundiais

A fusão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) traria benefícios não só para as empresas, mas também para os investidores e para o mercado de capitais brasileiro. Para analistas, por ser maior e ter um valor de mercado mais alto, o mais provável é que a Bovespa compre a BM&F. Não há consenso, entretanto, sobre a forma de pagamento da operação.

Em relatório, a Planner Corretora vê duas possibilidades. Na primeira delas, a Bovespa utilizaria o caixa de 1,5 bilhão de reais gerado quando ainda era uma entidade sem fins lucrativos – dinheiro que não pode ser distribuído como dividendos – e complementaria o valor com a emissão de aproximadamente 535 milhões de ações a serem entregues aos atuais acionistas da BM&F. A segunda opção seria a emissão de cerca de 600 milhões de ações em troca de 100% dos papéis da bolsa de contratos futuros e derivativos.

“Acreditamos que a primeira alternativa é a mais provável, pois daria uma alocação mais eficiente para o caixa disponível e resultaria em uma menor diluição da participação dos acionistas atuais da Bovespa”, afirma a corretora.

Apesar da diluição do capital da Bovespa, os analistas afirmam que ambas as bolsas sairiam ganhando com a operação. Somente nesta quarta-feira (20/2), os papéis da Bovespa dispararam 10,18%, finalizando o dia cotadas a 26,50 reais. As ações da BM&F fecharam em alta de 15,4%, cotadas a 18,20 reais.

“Como se trata de operações complementares, as duas bolsas têm a ganhar. Para crescer, elas só tinham duas alternativas: ou se unirem ou entrar uma no mercado da outra. A primeira alternativa parece bem mais interessante”, diz Kelly Trentin, analista da corretora SLW. Além do ganho de sinergia, as bolsas poderão reduzir seus custos, incrementar as receitas e conquistar maior representatividade no mercado internacional. “O mundo caminha no sentido de manter apenas três grandes bolsas de valores – e a Bovespa pode ser uma delas”, afirma Leila Almeida, gerente técnica da consultoria Lopes Filho. Para ela, as outras duas posições seriam ocupadas pela Bolsa de Nova York (NYSE) e por uma das bolsas da Europa, embora ainda não se tenha claro qual delas seria.

Juntas, Bovespa e BM&F passariam a valer cerca de 30 bilhões de reais. Uma estrutura mais robusta, na avaliação dos especialistas, desestimularia a entrada de um novo competidor no Brasil. “Ficará mais difícil para um estrangeiro abrir uma bolsa no país e obter lucros com isso”, explica a gerente técnica Lopes Filho, que considera como alternativa mais viável para um investidor estrangeiro interessado no mercado de capitais brasileiro cooperar com a bolsa brasileira, ao invés de tentar controlá-la.

Em outubro do ano passado, o CME Group, controlador direto da Bolsa Mercantil de Chicago, a maior bolsa de futuros do mundo, e a BM&F tornaram-se sócios. O acordo previa que a empresa brasileira incorporaria a subsidiária do CME Group no Brasil e teria acesso ao sistema de negociação da Bolsa de Chicago, podendo distribuir seus produtos pela rede de negócios da empresa, que atinge mais de 80 países. Da mesma forma, a Bolsa de Chicago poderia usar o sistema da BM&F para os mesmos fins.

A unificação de bolsas é uma tendência que se verifica em todo o mundo. O Brasil segue o exemplo de Austrália e Canadá, onde o mercado de derivativos e o de ações já funciona de forma combinada. Em outros países, apesar de não haver uma convergência de mercados, o que se vê é um forte movimento de fusão entre bolsas do mesmo segmento.  

Em janeiro, o CME Group e a Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) anunciaram que estão estudando uma possível compra da Nymex pela CME, numa operação que foi avaliada em 13,3 bilhões de dólares.  Um ano antes, a Bolsa de Nova York fundiu-se com a Euronext, operadora das bolsas de Paris, Amsterdã, Bruxelas e Lisboa, com sede em Londres.