Bovespa inicia negócios em linha com mercado externo

O radar da bolsa continua direcionado ao exterior e os negócios locais seguem reféns do apetite dos investidores estrangeiros

São Paulo – Ainda que a temporada brasileira de balanços ganhe força nesta semana, o radar da Bovespa continua direcionado ao exterior e os negócios locais seguem reféns do apetite dos investidores estrangeiros e do comportamento dos mercados internacionais. A agenda econômica esvaziada nos Estados Unidos nesta segunda-feira abre espaço para uma recuperação das ações, apesar de a ausência de notícias relevantes manter a cautela entre os agentes financeiros. Por volta das 10h05, o Ibovespa subia 0,48%, aos 59.204,62 pontos, na máxima.

Enquanto as blue chips Vale e Petrobras não publicam seus demonstrativos financeiros trimestrais, respectivamente na quarta e na sexta-feira (19), os investidores se debruçam sobre os números do setor bancário. Logo cedo, o Bradesco anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 2,893 bilhões entre julho e setembro de 2012, resultado que ficou em linha com as estimativas dos analistas consultados pela Agência Estado e que apresentou ligeiro avanço de 1% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Amanhã é a vez do Itaú Unibanco e, na quinta-feira (18), do Santander Brasil.

Segundo o Bradesco, a expansão do resultado foi puxada por maiores receitas de prestação de serviços e menores despesas com provisão para devedores duvidosos, além do braço segurador do grupo, que respondeu por 29% do resultado da instituição no terceiro trimestre. Além disso, houve uma queda na taxa de inadimplência no trimestre passado, puxada pelo recuo dos calotes de grandes empresas.

Para um operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista, o termômetro da atual temporada de balanços servirá para mensurar como estão andando os negócios das empresas domésticas. “Será que mesmo com a defasagem nos preços dos combustíveis, a Petrobras vai reverter o prejuízo do trimestre anterior? O preço do minério de ferro vai derrubar o balanço da Vale?”, indaga.

Por isso, o profissional, que falou sob a condição de não ser identificado, acredita que o principal vetor para a Bovespa continua vindo do norte. “A Bolsa tende a seguir colada ao exterior”, diz. Ele lembra, porém, que com o início do horário de verão, no Brasil, a abertura do pregão em Nova York ocorre a partir das 11h30. “Até lá, os negócios por aqui vão ser um marasmo”, avalia.

No horário acima, o futuro do S&P 500 subia 0,27%, com os investidores digerindo os balanços de empresas norte-americanas previstos para o dia, neste dia de agenda econômica norte-americana esvaziada. Já na Europa, onde o pregão das principais bolsas encerrar por volta das 13 horas a partir desta segunda-feira, a ausência de novidades sobre Grécia e Espanha reacende a cautela e mantém as expectativas por uma solução para a crise das dívidas soberanas na zona do euro.