Bovespa abre em queda, mas agenda traz volatilidade

O anúncio mais aguardado do dia será feito às 15 horas, quando o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) publica o rumo da taxa básica norte-americana de juros

São Paulo – Os mercados financeiros globais abandonam nesta quarta-feira a recente lateralidade que vigorou entre os negócios com risco e se envolvem em um intenso vaivém, diante da agenda econômica carregada de eventos e indicadores econômicos nos Estados Unidos.

Os números melhores que o esperado nos EUA sobre postos de trabalho criados no setor privado em julho e sobre a expansão econômica no trimestre passado içaram as taxas de juros futuros do país, comprometendo o comportamento das bolsas de valores ao redor do mundo, em meio a um fortalecimento do dólar.

Mas ainda falta o anúncio da decisão de política monetária pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), à tarde, que pode sacramentar a atuação da BM&FBovespa neste mês.

Às 10h10, o Índice Bovespa (Ibovespa) caía 0,30%, aos 48.417,02 pontos. “O dia hoje é de volatilidade, ao sabor de cada anúncio”, resume um operador da mesa de renda variável de uma corretora de São Paulo, de olho no calendário econômico do dia.

O operador cita os dados americanos conhecidos nesta manhã, que mostraram abertura de 200 mil empregos no setor privado neste mês, acima da previsão de +183 mil, e também do crescimento de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no trimestre passado, bem acima da estimativa de +0,9%.


Imediatamente após esses dados, o juro dos Treasuries dos EUA avançaram, reduzindo o apetite entre os ativos mais arriscados. Às 10h10, o futuro do S&P 500 oscilava em baixa de 0,02%.

Logo mais, às 10h45, sai o índice ISM de atividade industrial em Chicago em julho e, às 11h30, os estoques do país de petróleo bruto e derivados na semana passada.

Mas o anúncio mais aguardado do dia será feito apenas à tarde, às 15 horas, quando o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) publica o comunicado sobre o rumo da taxa básica norte-americana de juros.

Embora não sejam esperadas para já mudanças no ritmo de compras mensais de bônus pelo BC americano, os investidores estão em busca de qualquer indicação sobre a redução dos estímulos monetários, bem como novas pistas sobre quando o juro no país deixará de ficar perto de zero.

De acordo com o operador citado, o desempenho do dia, “dificilmente”, fará a Bolsa devolver os ganhos acumulados neste mês – de 2,33% até esta terça-feira, 30 -, “a não ser que venha um absurdo do Fed”. Ainda assim, acrescenta o profissional, essa valorização mensal “não é nada para se empolgar”. Também em âmbito doméstico, o destaque do dia fica com a divulgação dos balanços de Ambev e TIM.