Bolsas europeias sobem, mas temor com crise continua

Renovação nos papéis de bancos puxaram os índices para cima

Londres – As bolsas europeias sobem, impulsionadas pelas restrições às vendas a descoberto de ações do setor financeiro em alguns países da Europa, que geraram renovado interesse por papéis de bancos. No entanto, operadores dizem que o alívio provavelmente será temporário, já que ainda existem dúvidas sobre a eficácia das proibições e preocupações com a crise de dívida na zona do euro e com o crescimento econômico global.

Ontem os órgãos reguladores de França, Espanha, Bélgica e Itália anunciaram planos para proibir todas as vendas a descoberto de ações financeiras específicas por cerca de 15 dias a partir de hoje. O movimento ajudou a sustentar os papéis dos bancos, que foram bastante pressionados recentemente. A operação acontece quando os investidores vendem ações sem tê-las em mãos, na expectativa de que os preços recuem.

Mas, apesar do tom geral otimista nos mercados, operadores alertaram para preocupações com os fundamentos econômicos e disseram que esperam mais volatilidade à frente. “A proibição das vendas a descoberto podem ajudar no curto prazo, mas há pouca evidência de que isso mudará muita coisa no médio prazo”, afirmou Gary Jenkins, da Evolution Securities.

“Muitas incertezas ainda existem na Europa, com dúvidas sobre crescimento, financiamento bancário e a política em torno da expansão dos poderes da Linha de Estabilidade Financeira Europeia. Nesse ambiente, é difícil prever a volatilidade nos mercados se dissipando no curto prazo”, comentou a Goodbody Stockbrokers.

Às 8h33 (de Brasília), Londres subia 1,53%, Paris avançava 2,07%, Frankfurt ganhava 2,28%, Milão tinha alta de 2,02%, Madri apresentava +2,149 e Lisboa tinha +2,75%. Entre os bancos, destaque para Royal Bank of Scotland, que subia 4,55%, e Société Générale, que avançava 2,96%.

Nos mercados de câmbio, o euro tinha leve alta diante do dólar, sem conseguir receber muito suporte da proibição das vendas a descoberto de ações financeiras. Alguns investidores enxergaram a proibição como mais um sinal da grave crise na Europa.

Os investidores mantêm os olhos no franco suíço, em meio às especulações de que o Banco Nacional da Suíça (SNB, na sigla em inglês) pode intervir novamente para enfraquecer sua moeda, que tem mostrado força diante do euro e do dólar por ser considerada mais segura.

No horário citado, o euro subia para US$ 1,4256, de US$ 1,4241, enquanto o dólar caía para 76,56 ienes, de 76,83 ienes. As informações são da Dow Jones.