Bolsas europeias recuam com piora do conflito na Líbia

Por Gustavo Nicoletta

Londres – Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em queda, pressionados pelo aumento na tensão no Oriente Médio e no Norte da África, em particular na Líbia, onde os confrontos entre manifestantes e forças de segurança estão cada vez mais violentos. O país é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo e algumas empresas do setor anunciaram recentemente a suspensão de suas atividades na região por causa dos distúrbios.

O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 1,80 ponto, ou 0,63%, para 285,38 pontos. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 teve queda de 18,04 pontos, ou 0,30%, para 5.996,76 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 47,14 pontos, ou 1,5%, para 4.050,27 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra Dax fechou em baixa de 3,46 pontos, ou 0,05%, a 7.318,35 pontos. Em Madri, o IBEX caiu 108,60 pontos, ou 1,00%, para 10.701,90 pontos.

As ações em Milão passaram boa parte do dia sem serem negociadas por causa de problemas técnicos, segundo informações da bolsa local. O índice FTSE MIB recuou 236,24 pontos, ou 1,06%, para 21.993,96 pontos. Em Lisboa, o índice PSI 20 foi uma das exceções, fechando em alta de 13,82 pontos, ou 0,18%, a 7.869,55 pontos.

O dirigente da Líbia, Muamar Kadafi, no poder há mais de 40 anos, afirmou hoje durante um discurso transmitido pela televisão estatal que não renunciará, mesmo em meio a protestos contra seu governo. Ele também ordenou à polícia e ao exército que esmaguem os manifestantes e ameaçou limpar o país “casa por casa” e “polegada por polegada”. “Sou um guerreiro beduíno que trouxe glória para a Líbia e morrerei como um mártir”, afirmou. Pelo menos 62 pessoas morreram durante conflitos entre manifestantes e a polícia em Tripoli, capital da Líbia, desde domingo, de acordo com a organização Human Rights Watch.

A tensão na Líbia e em outros países do Norte da África e do Oriente Médio afetou principalmente os preços do petróleo, que operam em alta por receios com a possibilidade de conflitos internos nestes países afetarem o fornecimento da commodity. “Mesmo se o regime de Kadafi for derrubado, a produção de petróleo não deve ser seriamente prejudicada no médio prazo porque ela sustenta o país. No curto prazo, os mercados de petróleo estão compreensivelmente nervosos”, disse Neil Atkinson, diretor de pesquisas da Datamonitor. “O receio de verdade por trás da história da Líbia é com a Arábia Saudita”, acrescentou.

A Líbia exporta cerca de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia e as empresas do país possuem estoques equivalentes a 4 milhões de barris por dia por um período de um ano. A Arábia Saudita exporta 6,5 milhões de barris de petróleo por dia – volume muito grande para ser suprido apenas com estoques se houver uma interrupção na produção, disse Atkinson.

A Arábia Saudita é governada por uma monarquia sunita, mas uma parte minoritária de sua população é composta por muçulmanos xiitas. Há receios de que essa parcela da população saudita siga o exemplo do Bahrein, país vizinho, onde a maioria da população é xiita e está protestando contra o governo sunita. Até o momento, no entanto, não há sinais de manifestações na Arábia Saudita.

O aumento nos preços do petróleo pesou sobre os papéis de empresas ligadas ao setor turístico. As ações da Air France-KLM caíram 3% e as da easyJet recuaram 2,9%. Em outros setores, as ações da BAE Systems caíram 4,3% por causa de preocupações com a possibilidade de o governo do Reino Unido reduzir os investimentos em defesa.

Entre as montadoras, uma reportagem do Frankfurter Allgemeine Zeitung afirmou que a Scania, unidade sueca de caminhões da Volkswagen, poderia apresentar uma proposta de compra à MAN. As ações da Volks fecharam em alta de 2,9%, enquanto as da MAN subiram 2,5%. As informações são da Dow Jones.