Bolsas europeias caem com temor sobre dívida soberana

Por Álvaro Campos

Londres – As bolsas europeias encerraram a terça-feira em baixa, mesmo com a divulgação de dados econômicos positivos nos EUA, que ajudaram a reduzir as perdas. Os receios em relação às dívidas soberanas da zona do euro continuam a prejudicar os mercados. As ações de bancos foram as mais afetadas. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,33 ponto (0,13%), fechando a 261,83 pontos.

Na sessão de ontem, o Stoxx 600 perdeu 1,40%, com receios de que o pacote de resgate de 85 bilhões de euros aprovado para a Irlanda não vai evitar que a crise da dívida soberana se espalhe para outros países da região, como Espanha e Portugal. O rendimento do bônus de 10 anos do governo da Espanha subiu hoje para 5,63%, de 5,43% ontem. Os rendimentos (yields) das dívidas da Itália e da Bélgica também estão avançando. “O mercado ainda teme que a zona do euro possa entrar em colapso e que pode haver uma guerra entre as Coreias”, comentou Phil Flynn, da PFG Best.

Para Philip Shaw, economista-chefe da Investec Securities, um ciclo vicioso se desenvolveu nos mercados de bônus da Europa, com os temores sobre as dívidas soberanas elevando os yields, o que faz os investidores venderem seus títulos, gerando um novo aumento nos rendimentos. “Salvar países individualmente não é suficiente para controlar o nervosismo nos mercados de bônus da zona do euro”, afirmou. Enquanto isso, o euro chegou a cair abaixo de US$ 1,30 hoje, no menor nível desde meados de setembro.

Nos EUA, o índice de atividade industrial dos gerentes de compra do Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) de Chicago subiu para 62,5 em novembro, superando a previsão, de 60,0. Já o índice de confiança do consumidor, medido pelo Conference Board, avançou para 54,1 neste mês, ante estimativa de 52,5. O único dado que veio pior do que o esperado foram os preços de moradias nas 20 maiores áreas metropolitanas do país, que subiram apenas 0,6% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. A expectativa era de uma elevação de 1%.

Londres

Na Bolsa de Londres, o índice FTSE-100 perdeu 22,68 pontos (0,41%), a 5.528,27 pontos. Entre as seguradoras, a Resolution perdeu 3,78% e a Standard Life recuou 3,73%. O setor bancário também teve um desempenho ruim (Barclays -2,59%, HSBC -0,48%, Lloyds -0,21% e RBS -2,41%). Mas as mineradoras ajudaram a conter um pouco a queda, com a African Barrick avançando 3,38%, a BHP Billiton com alta de 0,86% e Rio Tinto com valorização de 0,90%.

Frankfurt

O índice DAX-30, da Bolsa de Frankfurt, fechou em leve queda de 9,48 pontos (0,14%), a 6.688,49 pontos. A siderúrgica ThyssenKrupp perdeu 0,47%, após divulgar uma previsão decepcionante para o ano fiscal de 2011. O Commerzbank recuou 1,84% e o Deutsche Bank perdeu 1,41%. A Siemens teve queda de 0,27%. A construtora Hochtief avançou 1,89%, depois que as autoridades reguladoras do país aprovaram a proposta de aquisição do grupo espanhol ACS de 2,76 bilhões de euros. Já a companhia química BASF ganhou 2,15%. A empresa anunciou que está desenvolvendo uma joint venture com a britânica Ineos Industries Holdings, com uma previsão de mais de 5 bilhões de euros em vendas anuais.

Paris

Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em queda de 26,52 pontos (0,73%), a 3.610,44 pontos. O setor financeiro mais uma vez liderou as perdas (Société Générale -3,64%, BNP Paribas -3,35%, Crédit Agricole -2,68%, AXA -3,57% e Natixis -3,42%). A Remy Cointreau, do setor de bebidas, perdeu 3,09%, após divulgar um balanço abaixo do esperado para o primeiro semestre. No campo positivo, a Alstom subiu 2,55%, depois de um analista elevar a recomendação da empresa.

Madri, Milão e Lisboa

Na Bolsa de Madri, o índice Ibex-35 fechou em queda de 57,50 pontos (0,62%), a 9.267,20 pontos. O índice FTSE-MIB, da Bolsa de Milão, perdeu 208,67 pontos (1,08%), fechando em 19.105,71 pontos. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 recuou 92,85 pontos (1,25%), a 7.322,89 pontos. As informações são da Dow Jones.