Bolsas europeias caem à espera de BC e só Lisboa sobe

Os investidores concentraram suas expectativas para quinta-feira no anúncio do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra sobre política monetária

Londres – A maioria das bolsas europeias fechou em baixa nesta quarta-feira com feriado nos Estados Unidos pelo Dia da Independência. Diante do baixo volume de negócios, os investidores concentraram suas expectativas para quinta-feira no anúncio do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BOE) sobre política monetária. Pesaram também a espera pela divulgação de dados econômicos nos dois lados do Atlântico na quinta e sexta-feira.

O índice Stoxx Europe 600 fechou em queda de 0,1%, aos 257,33 pontos, depois de subir 1,0% no pregão anterior. Nos EUA, serão publicados na quinta-feira os dados de emprego da ADP e, na sexta-feira, o indicador mais importante será o relatório de emprego de junho. Na Europa, a Alemanha divulga as encomendas à indústria na quinta e a produção industrial na sexta-feira.

Mas os destaques deverão ser mesmo as decisões do BCE e do BOE. “Espera-se que o BCE corte a taxa de juros básica em 0,25 ponto porcentual, mas não podemos deixar de dizer que uma ação favorável ao mercado adicional do presidente do BCE, Mario Draghi, é necessária para sustentar o rali”, comentaram estrategistas do Deutsche Bank em referência aos ganhos recentes nos mercados de ações e crédito.

Outros contribuintes para a queda das bolsas europeias foram os índices dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços divulgados pela Markit. O PMI de serviços da zona do euro subiu para 46,4 em junho, mas continuou abaixo de 50, indicando contração da atividade. Na Alemanha e no Reino Unido, houve queda no indicador.

O índice FTSE 100 da Bolsa de Londres terminou com leve retração de 0,06%, aos 5.684,47 pontos. As ações do Barclays encerraram em queda de 0,6%, após o depoimento do ex-executivo-chefe do banco, Robert Diamond, a um comitê do Parlamento do Reino Unido sobre a tentativa de manipulação da taxa Libor. Entre as mineradoras, Xstrata subiu 1,8%, após o fundo acionista Knight Vinke Asset Management afirmar que votará contra a proposta de fusão com a Glencore Internacional. Glencore avançou 2,7%.

O índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, finalizou com desvalorização de 0,20%, para 6.564,80 pontos, com destaque para o recuo de 1,6% da E.ON. Analistas do Citigroup rebaixaram a recomendação para as ações da empresa de “neutra” para “vender”, e o JPMorgan reduziu a recomendação de “overweight” para “neutra”.

Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 caiu 0,11%, para 3.267,75 pontos. BNP Paribas teve queda de 0,6% e Carrefour perdeu 1,5%.

Na Bolsa de Madri, o índice Ibex 35 caiu 0,71%, para 7.168,50 pontos, após cinco sessões de ganhos subsequentes, com os investidores realizando lucros.


“Para o mercado se manter em alta, o BCE terá de fazer um importante corte nos juros e dar um sinal claro de que vai continuar comprando dívida da Espanha e da Itália”, afirmou Javier Galan, da Renta 4. As ações do Santander caíram 0,3%, enquanto o BBVA perdeu quase 1%. Entre as ações em alta esteve a Repsol (+1,1%) e a Sacyr (+4,2%).

Em Milão, o índice FTSE MIB caiu 0,78%, para 14.381,20 pontos, pressionado pelo setor bancário. Banco Popolare recuou 2,3% e Intesa Sanpaolo perdeu 3,1%.

A Bolsa de Lisboa foi a única a terminar o dia em alta, com +1,06%, aos 4.945,84 pontos, puxada por Galp (+3,50%) e Sonae Indústria (+5,20%). As informações são da Dow Jones.