Bolsas de NY operam em baixa com tensão na Líbia

Por Gustavo Nicoletta

Nova York – Os principais índices do mercado de ações dos EUA operam em queda acentuada, pressionados pela tensão crescente na Líbia e pela divulgação de resultados mistos por empresas norte-americanas do setor varejista. Às 16h59 (de Brasília), o Dow Jones caía 166 pontos, ou 1,34%, 12.224 pontos, o Nasdaq perdia 66 pontos, ou 2,33%, para 2.767 pontos, enquanto o S&P 500 tinha queda de 25 pontos, ou 1,88%, para 1.317 pontos.

Entre as ações em destaque, as do Walmart caíam 3,97% após a companhia divulgar que seu lucro operacional no quarto trimestre cresceu 27%, beneficiado pelo bom desempenho das unidades internacionais, visto que no mercado norte-americano a companhia segue enfrentando dificuldades, como o sétimo trimestre consecutivo de declínio nas vendas de lojas abertas há um ano ou mais.

O Bank of America caía 4% depois de divulgar que sua subsidiária de cartões de crédito teve de reenviar os documentos referentes a oito trimestre aos órgãos reguladores por causa de uma baixa contábil de US$ 20,3 bilhões relativa à deterioração do crédito e às novas regras introduzidas nos últimos dois anos.

O dirigente da Líbia, Muamar Kadafi, no poder há mais de 40 anos, afirmou hoje durante um discurso transmitido pela televisão estatal que não renunciará, mesmo em meio a protestos contra seu governo. Ele também ordenou à polícia e ao exército que esmaguem os manifestantes e ameaçou limpar o país “casa por casa” e “polegada por polegada”. “Sou um guerreiro beduíno que trouxe glória para a Líbia e morrerei como um mártir”, afirmou.

Pelo menos 62 pessoas morreram durante conflitos entre manifestantes e a polícia em Tripoli, capital da Líbia, desde domingo, de acordo com a organização Human Rights Watch.

Segundo investidores, o mercado estava fadado a uma correção, visto que os índices acionários subiram em 16 das últimas 20 sessões e atingiram os maiores níveis em dois anos e meio na sexta-feira. As tensões no Norte da África e no Oriente Médio deram um argumento aos investidores que queriam sair, disse Liz Miller, presidente da Summit Place Financial Advisors.

“Os protestos no Oriente Médio acabaram sendo o gatilho, mas qualquer coisa poderia ter sido”, acrescentou, alertando que se os preços do petróleo continuarem elevados, “será mais um motivo de preocupação numa economia que aparentemente estava ganhando força”, acrescentou. As informações são da Dow Jones.