Bolsas de Nova York acumulam queda em novembro

Por Gustavo Nicoletta

Nova York – Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em queda, pressionados por receios de que a crise das dívidas soberanas europeias possa se alastrar para países como Portugal, Espanha e Itália. Dados positivos sobre a economia norte-americana, no entanto, ajudaram a limitar o declínio dos índices. O apetite por risco dos investidores também foi minado pela expectativa de aumento nos juros da China e por um aumento na taxa de desemprego do Japão.

O Dow Jones caiu 46,47 pontos, ou 0,42%, para 11.006,02 pontos, pressionado por componentes como o Bank of America, cujas ações recuaram 3,18% em meio a rumores de que o banco pode ter de enfrentar as consequências da divulgação de documentos pelo Wikileaks no ano que vem. Procter & Gamble e Cisco Systems também pesaram, com declínio de 1,71% e 1,44%, respectivamente. Já a Caterpillar evitou perdas mais acentuadas para o Dow Jones, subindo 1,11%.

Entre os demais índices, o Nasdaq fechou em baixa de 26,99 pontos, ou 1,07%, a 2.498,23 pontos, pressionado por uma queda de 4,54% nas ações do Google. A companhia propôs comprar a Groupon – rede social voltada para a oferta de descontos em compras – por US$ 6 bilhões. Além disso, a Comissão Europeia abriu uma investigação antitruste contra o Google. O S&P 500 recuou 7,21 pontos, ou 0,61%, para 1.180,55 pontos.

Em novembro, o Dow Jones voltou a acumular queda – algo que não acontecia desde agosto -, de 1,01%. O Nasdaq perdeu 0,37%, enquanto o S&P 500 recuou 0,23%.

A confiança dos investidores foi estimulada após o Conference Board divulgou que seu índice de confiança do consumidor dos EUA subiu para 54,1 em novembro, de 49,9 em outubro, superando as expectativas de analistas, que previam alta para 52,5. Além disso, o índice de atividade industrial de Chicago do Instituto para Gestão de Oferta (ISM, em inglês) avançou para 62,5 em novembro, de 60,6 em outubro. Economistas consultados pela Dow Jones esperavam uma leitura de 59.

“A indicação é de uma recuperação, porém lenta, que realmente só vai se tornar mais agressiva se houver um aumento no nível de emprego”, disse Edmund Hyland, especialista global de investimentos do JPMorgan Private Bank.

Para Stephen Wood, estrategista-chefe de mercado da Russell Investments, “o que realmente preocupa é esse cabo de guerra nas informações que estamos recebendo”. Ele notou que, embora a crise da dívida da zona do euro tenha produzido “muitas manchetes negativas, de certa forma também mascarou algumas melhoras importantes nos indicadores econômicos dos EUA”. Segundo Wood, os problemas da zona do euro são “uma coisa que o mercado está embutindo nos preços agora e terá de se acostumar”. As informações são da Dow Jones.