Bolsas asiáticas sobem com aceleração econômica na China

Depois de dois trimestres de desaceleração econômica, o resultado sugere uma estabilização na maior economia da região

Xangai – As bolsas asiáticas encerraram o último pregão da semana em alta, após a China anunciar uma aceleração no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e sugerir uma estabilização na maior economia da região, depois de dois trimestres de desaceleração econômica.

O PIB chinês cresceu 7,8% no terceiro trimestre, na comparação anual, em linha com a mediana das projeções de 18 economistas consultados pela Dow Jones, representando uma aceleração sobre o crescimento de 7,5% observado no segundo trimestre. “No atual ambiente, no qual as preocupações com a China permanecem, leituras em linha são, na realidade, mais positivas do qualquer outra coisa”, disse o estrategista do IG, Stan Shamu.

O índice Xangai Composto encerrou o pregão asiático em alta de 0,2%, para 2.193,78 pontos. O Shenzhen Composto avançou 0,7%, aos 1.074,13 pontos, e o Hang Seng, em Hong Kong, subiu 1,1% e alcançou os 245,22 pontos.

Os números de produção industrial e de vendas no varejo da China para setembro, em altas de 10,2% e de 13,4%, respectivamente, também vieram conforme o esperado. O crescimento de 20,2% nos investimentos em ativos fixos no acumulado do ano até setembro também não surpreendeu o mercado. Todas as comparações estão com o mesmo período do ano anterior.

Os ganhos do dia foram liderados pelas corretoras. As ações da China Merchants Securities avançaram 0.5%, as da Industrial Securities subiram 1.2% e as da Shanxi Securities marcaram alta de 0.8%.

“A pior parte da desaceleração chinesa já ficou para trás”, disse a equipe de economistas da UOB Kay Hian, apesar de alertarem que os meses à frente podem ser mais irregulares, uma vez que os dados recentes mostram uma recuperação desigual.

Para a equipe da BoCom Schroder Fund Management, no restante do ano os investidores devem se concentrar em setores beneficiados pelas políticas do governo, tendo em vista que os números do terceiro trimestre parecem insustentáveis, dada a intenção do Partido Comunista em mudar o foco da economia para o consumo interno.


A China enfrentou uma crise de liquidez no setor bancário em junho, prejudicando a confiança dos investidores na economia, no entanto os últimos indicadores econômicos já vinham sugerindo que a economia poderia estar trilhando um caminho de recuperação.

Em Hong Kong, as ações da AIA Group, a quarta maior seguradora do mundo por valor de mercado, saltaram 4,4% no pregão depois de publicar o resultado do terceiro trimestre. Na outra ponta, as ações da Lenovo recuaram 1,7% na esteira de rumores de que a empresa estaria avaliando fazer uma oferta para comprar a BlackBerry.

Além dos indicadores em linha com as expectativas na China, também há uma percepção no mercado de que os estímulos nos EUA continuarão por um tempo. “O que nós temos visto nessa semana é um retorno pelo apetite por risco, especialmente depois da extensão do teto da dívida nos EUA. Os fluxos voltaram para os mercados emergentes, à medida que a redução dos estímulos parece ter sido adiada para o próximo ano”, disse Erwin Balita, um gestor de fundos da BPI Asset Management.

Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 alcançou durante o pregão o maior nível desde junho de 2008, aos 5.326,5 pontos, mas fechou o dia a 5.321,5 pontos, em alta de 0,7%. A alta foi influenciada pelo setor bancário. As ações do Commonwealth Bank of Australia, Westpac e National Australia Bank subiram pelo menos 1%. Os papéis das mineradoras BHP Billiton e da Rio Tinto caíram 0,1% e 0,4%, respectivamente, depois dos recentes ganhos.

O índice Taiwan Weighted marcou ganhos de 0,8%, para 8.441,19 pontos, no maior nível de fechamento desde agosto de 2011. O índice PSEi, de Filipinas, subiu para o maior patamar desde meados de agosto deste ano e avançou 0,7%, para 6.607,83 pontos, assim como o índice Kospi, da Coreia do Sul, ganhou 0,6% e atingiu os 2.052,40 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires.