Bolsas sobem nos EUA; Ibovespa cai 1,4%…

Onde está o cataclisma? 

A vitória de Donald Trump, segundo analistas e investidores, teria um efeito tão traumático para os mercados quanto o Brexit, a saída britânica da União Europeia. Até que o temido dia chegou e… nada aconteceu. Nas primeiras horas após a confirmação de Trump, o mercado futuro americano despencou 5%, assim como a bolsa de Tóquio. Mas os discursos de Trump e de Hillary afirmando o compromisso de uma transição pacífica foram suficientes para acalmar investidores. Os dois principais índices americanos subiram hoje — Dow Jones subiu 1,39% e o S&P 500, 1,10%. . Na Europa, as bolsas também subiram no Reino Unido, na Alemanha e na França.

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A siderurgia com Trump

Por aqui, após a forte volatilidade, o Ibovespa fechou o dia com queda de 1,40%. As maiores altas ficaram com o setor de siderurgia e mineração. A postura de Trump propensa a corte de impostos e investimentos em infraestrutura do país levou o minério de ferro a subir 3,9%. Por aqui, o presidente da siderúrgica Gerdau, Andre Gerdau Johanpeter, disse que espera que o governo Trump gere crescimento e empregos. As ações preferenciais da Gerdau fecharam o dia com a maior alta do Ibovespa (6,3%). Destaque também para os papéis ordinários da mineradora Vale (4,3%) e os da fabricante de papel e celulose Fibria (3,9%), que subiram com a alta do dólar. A moeda subiu 1,3% e fechou o dia em 3,21 reais.  No cenário das perdas, as ações preferenciais da Petrobras caíram 2,2%.

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Novo presidente 

Em meio a tantas notícias, o banco Itaú Unibanco anunciou que já tem um nome para substituir Roberto Setubal, que deixará a presidência do banco após 22 anos no comando. Em abril de 2017, o atual presidente do Itaú BBA, Candido Bracher assumirá o comando da instituição. Setubal passará à copresidência do conselho de administração do banco, junto com Pedro Moreira Salles. Setubal atingiu em outubro a idade-limite para ficar à frente da instituição: 62 anos. A troca se dará na assembleia de acionistas marcada para abril.

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O presidente da inflação

Ninguém sabe ao certo ainda quais políticas o novo presidente vai encampar. Mas as especulações sobre os efeitos de longo prazo de suas políticas dominaram a quarta-feira. Suas declarações defendendo cortes de impostos e pesados investimentos em infraestrutura levaram analistas a estimar um aumento no déficit americano. Isso, automaticamente, aumentaria a inflação — o que, por sua vez, derrubaria o atrativo de papéis de longo prazo e canalizaria dinheiro para a bolsa. A investida ainda poderia levar a um aumento de salários. A imposição de tarifas contra China e México também poderia provocar retaliação desses países, aumentando o preço de produtos e insumos. Enfim, tudo isso somado faz com que Trump possa entrar para a história como o presidente da inflação — hoje abaixo dos 2%.

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Os efeitos inusitados

Como era de esperar, a eleição de Donald Trump mexeu com uma infinidade de mercados. Mas nem todos pelos motivos mais óbvios. A Sturm Ruger e a Smith & Wesson, duas das maiores fabricantes de armas do país e ferrenhas apoiadoras de Trump, viram suas ações despencar mais de 15% logo após a abertura. O motivo: como a restrição à posse de armas deve ser aliviada com Trump, espera-se que as pessoas deixem de estocar armas e munições em casa, diminuindo as vendas. Efeito contrário foi visto nas fabricantes de remédios: as ações subiram porque se espera que os republicanos interfiram menos no preço de medicamentos.

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41 bilhões a menos

Os bilionários da lista da agência Bloomberg perderam 41 bilhões de dólares de fortuna nas primeiras horas do pregão. O maior perdedor foi o mexicano Carlos Slim, que viu sua fortuna encolher 5,1 bilhões de dólares após o peso mexicano cair 12% em relação ao dólar. No total, os dez mais ricos do México perderam 6,5 bilhões de dólares.

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Gerdau lucra menos

Seguindo a temporada de balanços, a siderúrgica Gerdau teve um lucro de 95 milhões de reais no terceiro trimestre. O resultado foi 50,8% menor que o apresentado no mesmo período do ano passado. A companhia também afirmou que estima investir 1,4 bilhão de reais em 2017, ante expectativa de 1,5 bilhão em 2016. Já a receita líquida da empresa caiu 27,1% para 8,6 bilhões de reais. A queda veio com a redução de vendas principalmente na América do Norte. Apesar da queda, as ações da companhia subiram x% nesta quarta.