Até onde vai a euforia nas bolsas?

O mercado acionário nos Estados Unidos passa por um de seus melhores e mais contraditórios momentos. Ontem, o índice que reúne as 500 maiores empresas do país, o S&P 500, fechou o dia em seu maior patamar de todos os tempos. O Dow Jones atingiu sua pontuação máxima em mais de um ano e o Nasdaq Composite fechou o dia no maior valor de 2016.

A alta é uma aposta dos investidores no fortalecimento da economia do país. O otimismo ganhou mais força na última sexta-feira 8, após o relatório de empregos do país no mês de junho, que mostrou a criação de 287.000 vagas, acima das projeções de 180.000, evidenciando a recuperação da economia no país.

“O bom humor é generalizado, a percepção de risco diminuiu e as principais bolsas do mundo subiram”, diz Luis Gustavo Pereira, analista da corretora Guide. Por aqui, o Ibovespa terminou a segunda-feira próximo dos 54.000 pontos – o maior patamar desde o final de abril.

A euforia evidencia uma contradição. O mundo passa por um período de grandes incertezas. A desaceleração na China, a saída do Reino Unido da União Europeia e o esforço constante dos principais bancos centrais para fazer as grandes potências do mundo voltarem a crescer continuam no radar. No Brasil, estamos a um mês de definir se o presidente interino de fato fica no cargo. Como diz o economista Paul Krugman, colunista de EXAME Hoje, continuamos esperando pela turbulência no mercado financeiro. E nada…

Os ânimos dos investidores americanos devem ser testados ainda esta semana. A China divulga seu PIB trimestral. Mas o fator decisivo, tanto aqui quanto nos exterior, será a divulgação de resultados das empresas. No Brasil, a temporada de balanços começa na semana que vem. Nos Estados Unidos, já nesta semana, com os resultados de grandes bancos, como JPMorgan e Citigroup.

Especialistas americanos consultados pela Bloomberg esperam um lucro 18% menor que o do mesmo período do ano passado. No Brasil, será hora de saber se a mudança gradativa no ambiente econômico chegou às empresas. Se de fato já batemos no fundo, os 54.000 pontos de ontem podem ficar no retrovisor.