Afinal, Trump é bom ou ruim?

Especialistas tiveram dificuldades em explicar o que aconteceu no mercado acionário ontem quando, de repente, as ações americanas passaram a subir como se Donald Trump não tivesse virado presidente dos Estados Unidos. O Dow Jones subiu 1,4% e o S&P 500, 1,11%. Por aqui, o movimento foi outro: o Ibovespa chegou a cair 3,5%, e fechou o dia em queda de 1,4%.

Para Daniel Cunha, estrategista-chefe global da XP Securities, braço da XP Investimentos nos Estados Unidos, a alta nas bolsas americanas foi provocada pelo discurso do vencedor. “A verdade é que ninguém sabe ainda que Trump vai governar o país, mas nos parece agora que não será o extremista dos discursos de campanha”, afirma.

Para os próximos dias, a previsão é que o mercado – tanto aqui quanto lá fora – continue acompanhando de perto cada fala de Trump, na busca de maiores detalhes sobre como será a condução da economia do país. As bolsas americanas dependerão basicamente disso para sustentar novas altas. Analistas do banco Citi afirmam, em relatório, que os mercados da América Latina devem cair entre 5% e 10% nos próximos dias com os investidores fugindo de ativos de risco. A boa notícia é que neste cenário o Brasil pode ser a exceção. “Nós acreditamos que o Brasil poderia se sair melhor, com o seu cenário doméstico mais positivo e pouca dependência da economia americana, apesar de a economia do país ainda desacelerar”, escreveram.

Esta quinta-feira ainda deve ser cheia, com 36 empresas divulgando seus resultados do terceiro trimestre. A maior delas é o da Petrobras; a estatal deva apresentar melhoras com um lucro de 1,5 bilhão de reais, ante prejuízo de 3,7 bilhões de reais do terceiro trimestre de 2015. Os resultados do Banco do Brasil e do Bradesco, por outro lado, devem continuar sofrendo com a alta inadimplência, mas investidores estão esperando que os relatórios mostrem sinais de melhora em relação ao segundo trimestre.

Resultados positivos das empresas pode trazer atenção de volta para a recuperação da economia brasileira e desviar da imprevisibilidade externa. Analistas consultados por EXAME Hoje afirmam que não mudaram suas projeções para o fim do ano do Ibovespa. Para eles, a trajetória ainda é de alta e é possível chegar próximo dos 70.000 pontos. Faltam 50 dias até o fim do ano.