Uma novata num mercado de 27 tri

Nesta sexta-feira a IEX estreia como a 13ª bolsa do maior mercado acionário do mundo, os Estados Unidos. Ambição não falta. A companhia, idealizada pelo canadense Brad Katsuyama, tenta mudar a forma como um mercado acionário de 23 trilhões de dólares funciona. Até ontem, a IEX funcionava apenas como um mercado privado de negociações, conhecido como Dark Pool, responsável por apenas 2% de todas as negociações com ações no país.

A novata ficou famosa após o best-seller Flash Boys, de 2014. O livro do jornalista Michael Lewis revela um esquema perfeitamente legal que tornou os grandes bancos ainda mais ricos e arruinou milhões de pequenos investidores – as ordens de compra e venda de ações de alta frequência, que chegam na frente dos investidores comuns com microssegundos de vantagem.

Lewis narra também a aventura de um pequeno grupo de operadores de ações e especialistas em tecnologia e telecomunicações que abandonaram empregos milionários para criar a IEX. A IEX argumenta que, usando uma ferramenta que retarda cada ordem por 350 microssegundos pode nivelar a velocidade entre todos os compradores e reduzir as oportunidades dos tubarões do mercado. Pretende, portanto, atrair pequenos e médios investidores e também fundos de pensão, tradicionais vítimas nesse jogo de alta velocidade do mercado.

Gestores de grandes fundos, como Bill Ackman, do Pershing Square, e David Einhorn, do Greenlight Capital, têm apoiado financeiramente as ambições da IEX. Mas outras bolsas e operadores estão furiosos. Eles argumentam que a nova bolsa altera uma regra básica do mercado. Um regulamento de 2005 exige que investidores obtenham o melhor preço disponível para comprar ou vender ações – Katsuyama aposta em prejudicar alguns, para beneficiar a maioria. Os oponentes da IEX argumentam que a sua estratégia de atrasar as encomendas em 350 microssegundos resultará em preços obsoletos. Além disso, afirmam, a IEX abriu precedentes “perigosos” para incentivar mais bolsas a entrar no mercado e fragmentar as operações. Acostumado a nadar em meio a tubarões, Katsuyama segue seu rumo, um microssegundo por vez.