Bolsa deve ganhar fôlego com novo ciclo de corte de juros no Brasil

Ações de consumo, varejo e construção civil devem ser as mais beneficiadas pela queda da Selic. Fundos multimercados também devem atrair novos investidores

São Paulo – Juro e bolsa vivem em uma eterna gangorra: quando o primeiro sobe, o outro desce. E se a Selic desce, as ações sobem. É por isso que o corte da taxa Selic, anunciado na noite desta terça-feira (31), deve significar uma alta de papeis listados, especialmente, de setores ligados a crédito, como consumo, varejo e construção civil.

“O Ibovespa pode até não performar tão bem, pois tem em sua composição empresas como Petrobras e Vale que dependem do crescimento econômico global, que neste ano deve ser impactado pela recessão em alguns países”, comenta Dan Kawa, sócio e diretor de investimentos da TAG Investimentos.

Nesse sentido, o especialista prevê uma valorização do índice de small caps (empresas de menor capitalização, como Lojas Marisa, Alpargatas, MRV e Via Varejo). No ano, o indicador acumula uma alta de 27,3% ante uma valorização de 15,8% do Ibovespa.

Além das ações, fundos multimercado e de crédito devem atrair parte dos investidores hoje alocados em renda fixa. Essa categoria de investimentos costuma perder atratividade em tempos de redução de juros.

“Fundos passivos, como DIs, deixam de ser atrativos, especialmente os que têm taxas de administração elevadas”, afirma André Paes, diretor institucional da Infinity Asset. “A expectativa é que vejamos resgates nesses fundos e na caderneta de poupança nos próximos dias”, complementa.

Mas o bom momento da renda variável deve vir mesmo com a aprovação da reforma da Previdência, esperada para este semestre.

“A atividade está muito reprimida. Com a pauta aprovada, veremos a retomada da confiança, dos investimentos, do emprego e do consumo”, afirma Helena Veronese, estrategista da Azimut Brasil Wealth Management.

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Corte de juros

O Banco Central do Brasil se juntou ao movimento global de alívio monetário com a redução de 0,50 ponto percentual na Selic – taxa básica de juros da economia -, anunciada após reunião desta quarta-feira (31). A decisão dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime. 

Estacionada nos 6,5% há mais de um ano, a Selic passa agora aos 6% ao ano — uma nova mínima histórica no Brasil.  

No comunicado, o Copom destaca o avanço do processo de reformas e sinaliza um corte de mesma magnitude na próxima reunião. “O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo.”