Bolsa de Tóquio desaba por incerteza nos Estados Unidos

O índice Dow Jones Industrial Average recuou 2,9%, a baixa mais expressiva da história em uma véspera de Natal

A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de terça-feira em queda expressiva de 5,01%, após o péssimo resultado de segunda-feira em Wall Street, vítima das incertezas políticas e econômicas nos Estados Unidos, onde a oposição acusa o presidente Donald Trump de provocar o caos.

O índice Nikkei, também afetado pela valorização do iene – o que prejudica os exportadores japoneses – , perdeu 1.010,45 pontos, a 19.155,74 unidades, o menor nível desde abril de 2017.

Na segunda-feira, a Bolsa de Nova York fechou em forte queda. O índice Dow Jones Industrial Average recuou 2,9%, a baixa mais expressiva da história em uma véspera de Natal.

“Não esperava que o mercado registrasse tamanha queda”, afirmou Makoto Sengoku, analista do instituto de pesquisas Tokai Tokyo. “Nada indica que estejamos perto do fim da queda”.

As razões da queda das Bolsas são numerosas: “a desaceleração da economia mundial, as consequências da disputa comercial entre Pequim e Washington, o ‘shutdown’ (paralisação parcial do governo) nos Estados Unidos”, enumera Sengoku.

Mas é em Washington que se concentram os maiores temores. Líderes da oposição democrata acusaram Trump de provocar o “caos” no país na véspera de Natal.

“O mercado da Bolsa está em queda e o presidente está embarcado em uma guerra pessoal contra o Federal Reserve (Fed, banco central), pouco depois da demissão do secretário de Defesa”, o general Jim Mattis, afirma um comunicado divulgado pelos principais líderes democratas do Congresso.

“É véspera de Natal e o presidente está levando país ao caos”, completa a nota.

Trump, irritado com a decisão do Fed de aumentar as taxas de juros, fez duras críticas à instituição.

“O único problema em nossa economia é o Fed. Eles não têm uma ideia sobre o mercado, não entendem necessariamente as guerras comerciais ou a força do dólar”, escreveu o presidente no Twitter.

Os operadores “não têm confiança na administração, nem em Trump. Se movimentam por sua percepção das coisas, e esta é muito ruim no momento”, resume Stephen Innes, diretor da divisão Ásia-Pacífico na Oanda.

Além de todos os elementos já citados, outros devem ser adicionados, como as cotações do petróleo, que estão em queda e com o mercado cético ante as promessas da Opep de limitar a oferta de para sustentar os preços.

“A bolha Trump, que beneficiou os mercados de ações nos Estados Unidos e o dólar, está explodindo”, afirmou à agência Bloomberg o analista Mitsushige Akino.