Bolsa -8,8%; Dólar a R$ 3,38…

Terror na bolsa

Em um dia caótico no mercado financeiro, o Ibovespa despencou 8,8%. No início das negociações, às 10h21 o pregão teve um circuit breaker e as negociações foram interrompidas por 30 minutos. Foi a primeira vez que o mecanismo foi acionado desde a crise de 2008, em decorrência da crise internacional. Os investidores, evidentemente, venderam suas ações com receio de que o governo, abalado, não vai conseguir levar a cabo sua agenda de reformas. As ações com as maiores baixas foram as das companhias estatais. Os papéis ordinários da companhia de energia Eletrobras recuaram 20,9% — a maior queda do dia, as ações preferenciais da empresa caíram 16,9%, os papéis do Banco do Brasil caíram 19,91%. Já as ações preferenciais da Petrobras tiveram baixa de 15,76% e os papéis ordinários recuaram 11,37%. As ações dos bancos também estão entre as principais afetadas nesta quinta-feira. Os papéis ordinários do bradesco caíram 13%, enquanto as ações do Itaú unibanco recuaram 9,63% e as do Santander, 11,15%. As ações da companhia de alimentos JBS caíram 9,68%.

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Dólar a R$ 3,38

O dólar disparou 8,06% fechando o dia a 3,38 reais. Foi a maior alta diária desde janeiro de 1999, quando a moeda disparou 11% com o anúncio da mudança do regime de câmbio para flutuante. O banco credit Suisse revisou a estimativa do dólar de 3,20 reais para 3,50 reais em três meses. Para 12 meses, a estimativa saiu de 3,50 reais para 3,70 reais. O destaque positivo do Ibovespa ficou com as ações exportadoras. As companhias de papel e celulose tiveram as maiores altas: os papéis da Fibria subiram 11,4%, os da Suzano Papel tiveram altas de 9,8%. Os da fabricante de aviões Embraer avançaram 2,6%.

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Pânico nos juros

Na renda fixa brasileira o dia também foi de desespero. As Taxas de contratos de depósito interbancário (DI) tiveram altas recordes. A diferença entre os DIs janeiro de 2021 e janeiro de 2019 teve o maior salto em pelo menos uma década. O mercado foi paralisado logo na abertura, quando os DIs alcançaram os limites de máxima. No mercado secundário, investidores correram para se desfazer de títulos públicos. Para controlar o mercado, o Tesouro Nacional cancelou a oferta de LTN e LFT e anunciou leilões de compra e venda de LTN, NTN-F e NTN-B para as próximas três sessões. Na curva de DI, as posições até ontem indicavam mais de 70% de probabilidade de corte de 1,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom marcada para o fim de maio. Nesta quinta-feira a aposta de 1,25 e de 1 ponto percentual saíram de cena. O mercado embute agora redução de 0,50 ponto percentual.

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Goldfajn: trabalho contínuo

O Banco Central (BC) realizou quatro leilões de swap cambial tradicional, o equivalente à venda de dólares no mercado futuro. Após o fechamento do mercado, o presidente o BC, Ilan Goldfajn, tentou acalmar o mercado e afirmou que a autoridade monetária tem atuado fazendo seu papel de “manter a funcionalidade do mercado”. “Temos vários instrumentos e estamos trabalhando para acalmar o mercado, pra atravessar esse período, e é um trabalho contínuo, um trabalho sereno, um trabalho firme”, disse.

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Desempregados há dois anos

O número de brasileiros em busca de emprego há mais de dois anos voltou a subir em 2017 e chegou a 2,9 milhões. O número representa 20,4% dos 14,2 milhões de desempregados do país. O número é o mais alto da pesquisa Pnad Contínua, do IBGE, que teve início em 2012. Há um ano, esse percentual era de 18,2% dos desempregados, e o no último trimestre de 2016, 19,9%.