BlackRock aposta em Itaú com espaço para crescer

Segundo Will Landers, os bancos são um bom negócio no Brasil à medida que a inadimplência em empréstimos cai e a concorrência de bancos estatais diminui

São Paulo – Will Landers, da BlackRock Inc., que gerencia US$ 4,5 bilhões em ações da América Latina, disse que entre suas principais escolhas em um barato mercado brasileiro de ações estão bancos como Itaú Unibanco Holding SA e Banco Bradesco SA.

“Este é um setor barato, que tem alguns catalisadores específicos de setor, que tem grandes times de gestão e grande foco no negócio do cliente, mas também em fazê-lo de uma forma lucrativa”, disse Landers, ontem, em entrevista em São Paulo. “O Itaú é nossa maior posição”.

Os bancos são um bom negócio à medida que a inadimplência em empréstimos cai e a concorrência de bancos estatais diminui, disse Landers. O Itaú, maior banco do Brasil em valor de mercado, e o Bradesco têm capital para crescer, porque a pressão em suas margens é mais baixa e os empréstimos de bancos estatais estão diminuindo, disse ele.

A BlackRock desistiu de manter participações nos setores de telecomunicações, um setor que caminha para a consolidação, e aeroespacial, no qual os lucros da Embraer SA provavelmente serão espremidos por ofertas agressivas de negócio, disse Landers.

Já os bancos se beneficiaram quando o Banco Central aumentou a taxa Selic para 10 por cento no mês passado, contra 7,25 por cento em abril.

O Itaú cresceu 1,1 por cento neste ano, avaliando a empresa em R$ 149,7 bilhões (US$ 64 bilhões), contra uma queda de 12 por cento do Bradesco. O Ibovespa caiu 18 por cento.

 


Linhas de crédito

Os empréstimos com mais de 90 dias de atraso do Itaú caíram pelo quinto trimestre seguido, para 3,9 por cento no trimestre terminado em setembro, segundo seu comunicado de lucros.

O banco com sede em São Paulo adotou linhas de crédito de menor risco, como hipotecas e empréstimos consignados, em detrimento de financiamentos de carros, após as taxas de moratória em empréstimos ao consumidor no Brasil atingirem um recorde em maio de 2012.

Os bancos estatais, como o Banco do Brasil SA e a Caixa Econômica Federal, vinham aumentando suas carteiras de empréstimos mais rapidamente que os bancos privados e cortando suas taxas de juros, em um momento em que a presidente Dilma Rousseff procurava reanimar uma economia desaquecida, que encolheu 0,5 por cento no terceiro trimestre.

A BlackRock está entusiasmada com a BB Seguridade Participações SA, uma empresa que investe em seguros, disse Landers. Este não é um mercado regulado de forma estrita e poderia crescer a taxas de pelo menos 10 por cento em um futuro próximo, cerca de três a quatro anos, disse ele.

“Os produtos de seguro têm muito pouca penetração no Brasil”, disse Landers. “Há um grande foco do Banco do Brasil em aumentar o número de produtos por cliente”.