Biosev suspende IPO por condições de mercado

No comunicado, a Biosev disse que preferiu suspender a operação por "incertezas no mercado financeiro"

São Paulo – A Biosev, divisão de bioenergia no Brasil da multinacional francesa de agronegócio Louis Dreyfus, resolveu suspender por tempo indeterminado sua oferta pública inicial de ações no país, com a qual poderia levantar até mais de 1 bilhão de reais.

O anúncio da suspensão da operação foi feito à imprensa no final da manhã desta quinta-feira, depois que a companhia publicou mais cedo prospecto em jornal em que informava o adiamento por um dia da data de precificação do IPO, inicialmente programada para quarta-feira.

No comunicado, a Biosev disse que preferiu suspender a operação por “incertezas no mercado financeiro”. Na véspera, o IFR, serviço da Thomson Reuters, publicou que a companhia estava enfrentando dificuldades para encontrar demanda suficiente para a operação.

“Foi feito um roadshow pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. Estamos confiantes de que quando o cenário econômico se restabelecer, novas oportunidades surgirão para a concretização do nosso IPO”, disse o presidente do Conselho da Biosev, Kenneth Geld, no comunicado.

A precificação do IPO da segunda maior esmagadora de cana-de-açúcar do Brasil acabaria ocorrendo junto com a definição de preço das units do braço de distribuição de energia elétrica da Cemig, Taesa, cuja demanda pelos papéis está superando a oferta em três vezes, segundo o IFR.

Os coordenadores da oferta da Biosev são Bradesco BBI, JPMorgan, BB Investimentos, ItaúBBA, Santander e Banco Votorantim.

O IPO colocaria a Biosev entre grandes companhias do setor na Bovespa, como a Cosan, São Martinho e a francesa Tereos, que também reforçaram o seu crescimento com aberturas de capital.

Com a decisão de adiar indefinidamente a operação, a Biosev tornou-se a sexta companhia a suspender planos de IPO neste ano. A mais recente foi a rede de drogarias Pague Menos, cuja oferta teria giro financeiro de cerca de 1 bilhão de reais.