Bilionário chinês é relacionado a crise financeira de 2015

Xiao Jianhua, fundador do Tomorrow Group, desapareceu de seu quarto em um hotel de luxo de Hong Kong na sexta-feira

Um bilionário chinês desaparecido em Hong Kong, onde teria sido sequestrado por agentes de segurança da China, estaria sendo investigado, segundo a imprensa local, pela queda expressiva das Bolsas da China em 2015.

Xiao Jianhua, um dos homens mais ricos da China, desapareceu de seu quarto no hotel de luxo Four Seasons de Hong Kong na sexta-feira, de acordo com a imprensa da ex-colônia britânica. Desde então seu paradeiro é desconhecido.

Em três comunicados atribuídos a Jianhua, publicados na conta do aplicativo WeChat de sua empresa e em um jornal de Hong Kong, o magnata nega ter sido sequestrado.

Os agentes da China continental não podem atuar em Hong Kong. O caso alimenta novos receios pela crescente interferência de Pequim no local.

Xiao Jianhua é fundador do Tomorrow Group, que tem interesses especialmente nos setores imobiliário e financeiro. De acordo com o South China Morning Post, está na China continental e “ajuda em investigações” sobre a queda da Bolsa em 2015.

O índice da Bolsa de Xangai perdeu quase 40% em pouco mais de dois meses, depois de ter registrado níveis máximos em junho daquele ano.

As autoridades contribuíram para a bolha com estímulos aos investimentos. Mas quando a bolha explodiu, o governo atribuiu o ocorrido às manipulações.

Não se sabe que papel seria atribuído a Xiao nos acontecimentos. As autoridades chinesas já acusaram vários investidores suspeitos de uso de informação privilegiada.

Na semana passada, um ex-gestor de fundos de investimentos foi condenado a mais de cinco anos de prisão por manipulação dos mercados.

Segundo a imprensa, a investigação teria relação com a queda em desgraça do ex-chefe da contraespionagem chinesa Ma Jian, acusado de corrupção. O ex-vice-diretor do ministério da Segurança do Estado, chamado por muitos de “KGB chinesa”, foi expulso no fim do dezembro do Partido Comunista.

Jornais chineses deram a entender que o desaparecimento está relacionado com a campanha anticorrupção em vigor no país que, segundo os críticos, serve para atacar os opositores políticos do presidente chinês Xi Jinping.