Bernanke esfria ânimo do mercado, Europa segue no radar

São Paulo – Comentários do chairman do Federal Reserve de que o banco central dos Estados Unidos ainda não está pronto para oferecer mais estímulos à economia esfriava o otimismo de investidores nesta quinta-feira, após um começo de dia razoavelmente positivo em meio ao noticiário macroeconômico.

No segundo dia de audiência no Comitê Bancário do Senado, Ben Bernanke pareceu ir na contramão do que afirmou na véspera, justificando que a situação atual é um pouco diferente de quando o Fed implantou o “quantitative easing 2”, no ano passado, e que a inflação desde o final de 2010 subiu.

Os comentários jogavam uma ducha de água fria nos mercados, que se animaram na quarta-feira com a sugestão de mais liquidez à frente.

Os principais índices de ações em Nova York reduziam os ganhos, enquanto o Ibovespa aprofundava as perdas a cerca de 1,5 por cento, abaixo dos 60 mil pontos.

O passo atrás de Bernanke contrabalançava a repercussão positiva da queda nos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana passada, e também do crescimento nas vendas do varejo no país em junho. A cautela de agentes também era intensificada pelas contínuas preocupações com a crise de dívida europeia. Após a trégua da véspera, o temor de que haja contaminação a economias maiores do continente voltou à tona, depois que os yields pagos pelo governo italiano na venda de títulos públicos saltaram à máxima em três anos. O principal índice das ações europeias fechou em queda de 0,8 por cento. O euro abandonava os ganhos ante o dólar e passava a cair, movimento que dava algum suporte à moeda norte-americana contra uma cesta de divisas.

As operações locais também captavam a piora no humor externo, levando o dólar a zerar a queda frente ao real.

No mercado de renda fixa, os contratos mais líquidos de DI tinham leve queda, em meio à ausência de indicadores domésticos relevantes e com os players ainda repercutindo o IBC-Br mais fraco divulgado na quarta-feira.