BC suíço dá uma nova dimensão para a “guerra cambial”

“É um evento de grande importância para um país desenvolvido”, afirma economista

São Paulo – O Banco Nacional da Suíça (BNS) cansou de ver o franco suíço ser usado como um porto seguro para os investidores temerosos com a crise e tomou uma dura atitude. Pela 1ª vez desde 1978, o BC do país fixou uma cotação mínima de 1,2 franco suíço ao euro. Contra o real, por exemplo, o franco suíço despencou hoje 7,2% e 8,7% em relação ao euro. Foi a maior queda desde a criação da moeda única.

“Este é um evento de grande importância para um país desenvolvido”, analisa Andrew B Busch, estrategista global de moedas do banco BMO, em relatório. Em um breve comunicado, o BNS disse que “a massiva sobrevalorização atual do franco suíço representa uma ameaça aguda para a economia suíça e carrega o risco de um desenvolvimento deflacionário”.

A última intervenção do tipo, ocorrida há mais de três décadas, foi realizada com um valor mínimo contra o marco alemão, moeda que foi extinta após a adesão ao euro pela Alemanha. Com a decisão de hoje, o banco se compromete basicamente a imprimir moeda para fazer frente à enorme intervenção prometida.

A moeda chegou a subir mais de 13% contra o euro neste ano, para um recorde de 1,0075 no dia 9 de agosto. A intervenção dá uma nova dimensão para a chamada “guerra cambial”, termo lançado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em 2010. Desde então, nenhum país tinha ainda decidido por uma posição tão radical.

“Eles já conseguiram um movimento significante e de sucesso de 10%. Ainda assim, as razões para a demanda do franco suíço não mudaram. Ainda há um significativo voo para qualidade decorrente não só da crise da dívida europeia, mas também de uma potencial recessão nos Estados Unidos”, ressalta Busch.

“De um ponto de vista econômico, a analogia é de que a Suíça é como a Alemanha sem o euro”, explica o economista. O BNS alertou ainda que “mesmo a 1,20 franco por euro, a moeda suíça permanece a um nível elevado” e que se as perspectivas econômicas e os riscos de deflação exigirem, tomará medidas adicionais.

Outro aspecto importante, avisa o economista do BMO, é que a Suíça participa da OMC (Organização Mundial do Comércio) desde 1995. “A medida é claramente uma violação das regras da OMC e está especificamente direcionada para ajudar os exportadores suíços. Eu esperaria que os membros da OMC deem início a processos para interrompê-la”, diz.