BATS diz ainda ter interesse no mercado brasileiro de ações

Gestora brasileira Claritas, parceira da bolsa americana, não quis se pronunciar

São Paulo – A bolsa americana BATS, uma das interessadas em desenvolver um mercado de ações alternativo no Brasil, disse que continua a avaliar o mercado de ações brasileiro, mostra uma nota enviada à EXAME.com nesta terça-feira. O jornal Valor Econômico disse hoje que o projeto com a gestora brasileira Claritas teria sido abandonado por conta do custo muito elevado. O primeiro anúncio oficial sobre a intenção de criar operações no país foi feita em fevereiro de 2011.

A empresa tinha indicado a intenção de lançar uma bolsa com uma estrutura completa, ou seja, além da negociação tradicional também ofereceria a clearing e a custódia. As estruturas, contudo, dependem de aprovação do Banco Central e, segundo cálculos do HSBC, poderiam custar centenas de milhões de dólares.

A Direct Edge, também de olho no mercado local, pretende tentar um acordo com a BM&FBovespa para não precisar criar a sua própria estrutura de pós-negociação. A bolsa, contudo, já indicou que não pretende fornecer a sua estrutura antes de 2014, quando pretende finalizar a integração das suas clearings.

“Continuamos interessados no mercado brasileiro como estamos interessados em todos os mercados que precisam de competição. Continuamos a avaliar a oportunidade no Brasil, assim como outras mencionadas no passado, como o Canadá, bolsa de moedas e derivativos europeus”, mostra a nota. A BATS não deu mais detalhes sobre os planos imediatos nos país. A Claritas preferiu não comentar o assunto.

Concorrência

Segundo uma análise do HSBC enviada para clientes e assinada pelo analista Paulo Ribeiro obtida por EXAME.com, a notícia é positiva para a BM&FBovespa. “É importante que o mercado, seguindo ao relatório da Oxera, se moveu em direção à nossa visão de que a competição não é uma ameaça imediata”, explica o analista. O banco estima que a concorrência apenas se materialize em 2014 ou depois. A recomendação às ações da bolsa é de alocação acima da média, com um preço-alvo de 15 reais.

A consultoria Oxera publicou um relatório em junho deste ano a pedida da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre os eventuais benefícios de uma nova bolsa de valores no Brasil. Os resultados foram fortemente criticados por Edemir Pinto, diretor presidente da BM&FBovespa.

A bolsa de Nova York (NYSE) também estaria interessada em operar no Brasil, revelou reportagem recente da revista EXAME. O projeto já está sendo discutido com a Comissão de Valores Mobiliários e com o Banco Central.