Bancos: saudades de 2015

Nesta terça-feira o maior banco do país, o Itaú Unibanco, apresenta seu balanço do primeiro trimestre de 2016. Em 2015, o banco lucrou 23,3 bilhões de reais, o maior valor já registrado por uma instituição financeira no Brasil, mas as coisas não devem ser fáceis em 2016.

A expectativa de analistas é que o lucro do Itaú encolha 8% neste primeiro trimestre, na comparação anual, para 5,27 bilhões de reais. O principal motivo, segundo analistas, é o cenário de recessão que tem aumentado a inadimplência – a taxa do setor financeiro passou de 2,8% para 3,5% entre março de 2015 e 2016.

“Os bancos estão restringindo a concessão de créditos com medo de calotes e, do jeito que a economia está, até os clientes que já tomaram empréstimos podem ter dificuldades para acertar as contas este ano”, afirma Lenon Borges, analista da corretora Ativa Investimentos.

Dos resultados divulgados até agora, o banco Santander surpreendeu ao apresentar uma alta de 1,7% em seu lucro, para 1,66 bilhão de reais. Mas a carteira de crédito diminuiu 3,8% na comparação anual. Já o Bradesco, lucrou 4,1 bilhões de reais, 2,9% a menos que em 2015.

Pouca coisa deve mudar até o fim do ano. Para piorar, uma queda na taxa de juros Selic, aguardada para o segundo semestre, diminuirá a margem de lucro dos bancos na concessão de empréstimos. O banco Goldman Sachs estima que para cada ponto percentual de queda na Selic, os lucros dos bancos devem cair três – no caso do Itaú, significa menos 700 milhões de reais em 12 meses.