Balanços: a lenta recuperação

Nesta quinta-feira se inicia mais uma temporada de balanços das companhias brasileiras, que vai até o dia 14 de novembro. Como de costume, a primeira na fila é a locadora de veículos Localiza, que anunciará seus números do terceiro trimestre após o fechamento do pregão. A divulgação se inicia em meio a um cenário de expectativa de melhora da economia e, consequentemente, dos resultados das companhias.

Estudo de analistas do banco Citi mostra que, pela primeira vez desde 2011, a média das projeções de analistas para o lucro das companhias brasileiras melhorou ao longo do ano. Em anos anteriores, conforme o desenrolar dos meses, as previsões pioravam. Desta vez, porém, com uma certa estabilidade política e a perspectiva da aprovação de grandes medidas para destravar a economia, especialistas melhoraram suas previsões para as companhias brasileiras – num fenômeno semelhante ao visto em 2010, quando as empresas se recuperavam da crise global.

Apesar dessa semelhança, apontam analistas, desta vez as coisas não serão tão fáceis, já que a recessão vivida aqui é fruto de problemas mais densos na economia do país. “O crescimento do país pode até voltar no quarto trimestre do ano, mas a recuperação deverá ser mais lenta e raso do que pelo menos as últimas quatro recessões do país, ao contrário da rápida retomada em 2010”, afirmam analistas do Citi.

A queda nas vendas do varejo, na produção industrial e no setor de serviços em agosto, divulgadas esta semana, vieram para lembrar que o terceiro trimestre ainda não é o “ponto de virada” para muitas companhias. Analistas  afirmam que a recuperação do lucro só deve vir para companhias que cortaram investimentos ou contiveram suas dívidas. Além disso, fatores como a valorização do real, do petróleo e do preço do minério de ferro devem ajudar no resultado de grandes companhias como a mineradora Vale, a Petrobras e a companhia aérea Gol.

A Localiza, ainda que mais resiliente a crise, não deve ser exceção: analistas do banco Itaú projetam um lucro de 97 milhões de reais para a empresa no terceiro trimestre – 6% abaixo do resultado apresentado de julho a setembro do ano passado. Por enquanto, investidores seguem otimistas – o Ibovespa tem alta de 8,8% só em outubro. É esperar que os resultados divulgados ao longo deste mês não abalem a expectativa de melhora.