Balanços: 2016 ainda foi difícil

Nesta quinta-feira se encerra mais um período de sufoco na bolsa, com o fim da temporada dos balanços de 2016. Um levantamento feito a pedido de EXAME Hoje pela consultoria Economatica mostra que a vida das companhias de capital aberto em 2016 foi tão desafiadora quanto no ano anterior.

Juntas, as companhias de capital aberto passaram de um prejuízo de 60,2 bilhões de reais em 2015 para um lucro de 20,8 bilhões de reais. Seria um bom resultado, não fossem questões contábeis escondidas. Deixando de fora os resultados das estatais Eletrobras e Petrobras e da mineradora Vale, que mais foram distorcidos por baixas contábeis em 2015, e também o resultado da novata rede de laboratórios Alliar (que só chegou a bolsa em 2016), as companhias de capital aberto passaram de um lucro de 20,2 bilhões de reais em 2015 para ganhos de 22,8 bilhões de reais em 2016. Ou seja: ficou elas por elas.

“Os resultados continuaram piorando em 2016 em setor importantes, caso de construção civil e varejo. Até resultados de empresas tidas como exemplares, como Ambev e Lojas Renner, vieram abaixo das expectativas”, diz Roberto Indech, analista da corretora Rico.

Para ele, não dá para dizer que houve grandes avanços nem nas estatais. Apesar dos resultados melhores, Petrobras e Eletrobras ainda têm dívida colossais: a Petrobras tem dívida de 314,12 bilhões e a Eletrobras, de 42,5 bilhões de reais. Para essas companhias, 2017 é mais um ano para tentar arrumar a casa.

Entre os poucos resultados positivos, alguns bancos mostraram resiliência e conseguiram lucros altos mesmo com a inadimplência alta e a escassez de crédito. O Santander Brasil, por exemplo, viu seus ganhos aumentarem 10,8% em 2016, para 7,3 bilhões de reais.

Neste primeiro semestre a situação deve continuar difícil, já que a conjuntura macroeconômica segue desafiadora. A taxa de desemprego (que fechou janeiro em 12,6%) continua crescendo e os juros permanecem em patamares altos, embora em queda (12,25% ao ano). A expectativa de melhora está ancorada no segundo semestre, em que analistas e economistas acreditam em uma aprovação da reforma da Previdência, uma taxa de juros mais amena e o fim da alta na taxa de desemprego. A ver se as expectativas se confirmam nos balanços de 2017.