Ativos sob gestão de milionários devem aumentar, diz Anbima

Associação estima que o pessimismo com a economia não deve impactar o volume de ativos sob gestão em casas especializadas em orientar aplicações de milionários

São Paulo – A perspectiva de crescimento negativo da economia este ano não deve ter impacto no mesmo sentido sobre o volume total de ativos sob gestão em casas especializadas em orientar aplicações de milionários

O diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) e presidente do comitê de Gestão de Patrimônio, Richard Zilliotto, estima que as dificuldades devem levar mais clientes a buscar os serviços especializados de consultoria financeira e que, somado à expectativa de elevação no ingresso de mais casas à estatística, esse volume cresça este ano.

“O crescimento negativo, conforme prevemos em torno de 1,5%, evita que haja geração de riqueza ou destrave de riquezas na economia, mas, por outro lado, o ambiente de pressão inflacionária, risco político e com questões relacionadas ao crédito chamando a atenção, os serviços de consultoria oferecidos pelo segmento de gestão de fortunas são mais procurados” disse Zilliotto em conversa com jornalistas para apresentar os números de 2014 do setor.

Estatística do segmento feita pela Anbima com base em 17 gestoras de patrimônio, também conhecidas como family offices, mostrou crescimento de 0,2% nos ativos sob gestão para R$ 64,536 bilhões em relação a dezembro de 2013.

“Somos bastante otimistas com o número, em ambientes de pouca visibilidade as consultorias geram atração”, acrescentou.

De acordo com ele, em termos patrimoniais e envolvendo as outras classes de ativos, esses detentores de fortunas possuem em média R$ 20 milhões.

Zilliotto destacou também o crescimento de 29,7% das aplicações em títulos privados nas carteiras administradas, de R$ 9,8 bilhões em 2013 para R$ 12,7 bilhões em 2014, como reflexo de um cenário macroeconômico incerto e atípico por conta das eleições.

De acordo com o diretor da Anbima, a grande parte das aplicações em títulos privados esteve em títulos isentos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito Agrícola (LCA) e os emitidos sob a Lei 12.431, das debêntures de infraestrutura, por aliar o baixo risco com a isenção do Imposto de Renda.

A migração dos recursos, neste caso, foi originada principalmente dos fundos multimercados – que perderam participação de 31,9% para 25,6% nas carteiras. A participação da renda fixa cresceu, em contrapartida, para 40,1% em 2014, de 33,6% em 2013.

Mas ele acredita que, com a Selic chegando a 13% este ano, gestores possam tirar valor desse momento olhando para um futuro em que o governo consiga implementar uma boa lição de casa.

“Sendo que “os fundos multimercados são o veículo que normalmente têm bom desempenho em movimentos de queda de taxa”, observa.