Ata do Copom abre espaço para Bovespa subir

O sinal positivo que prevalece no exterior, diante da percepção de que a economia dos Estados Unidos está voltando aos trilhos, deve estimular os negócios com risco

São Paulo – O tom mais suave da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), aliviando as apostas de uma elevação da taxa básica de juros (Selic) já em abril, favorece a Bovespa nesta quinta-feira.

O sinal positivo que prevalece no exterior, diante da percepção de que a economia dos Estados Unidos está voltando aos trilhos, que foi reforçada por indicadores já divulgados, deve estimular os negócios com risco. Às 10h10, o Ibovespa subia 0,81%, aos 57.850,20 pontos, na máxima.

O estrategista da Fator Corretora, Paulo Gala, avalia que a ata do Copom é “boa para a Bolsa”. “O documento é tranquilizador em relação à inflação no sentido de não haver nenhum alarde por parte do Banco Central com a questão”, avalia, acrescentando que diante dos sinais de recuperação da atividade econômica doméstica, uma alteração nos níveis atuais do juros básicos “atrapalharia”.

“Diante dos níveis alavancados do Brasil no crédito, um aperto monetário seria ruim para consumidores e empresas”, completa Gala.

Já um operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista brinca que a “Bolsa nunca mais vai cair”, diante das primeiras impressões deixadas após a leitura do documento do BC.

Inicialmente, analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Broadcast avaliam a ata do Copom como mais suave do que o esperado, o que alivia as apostas de alta de juros feitas nos últimos dias.

Isso porque, no documento o BC repetiu a avaliação apresentada no comunicado que seguiu à decisão unânime de manutenção da Selic em 7,25%, de que terá de “acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.

No mercado futuro de juros, as taxas mais curtas dos contratos de depósitos interfinanceiros (DIs) já corrigem em baixa a estimativa de aperto monetário. As apostas, que na quarta-feira (13) estavam entre uma alta de 0,25 ponto porcentual e 0,50pp, devem passar agora para entre estabilidade e 0,25 ponto porcentual.


Para o operador, que falou sob a condição de não ser identificado, essa releitura pode penalizar os papéis dos bancos, que registraram ganhos acelerados recentemente em meio às expectativas de aumento iminente da Selic.

Por outro lado, a revisão de estável para negativa na perspectiva dos ratings de seis bancos brasileiros, anunciada na quarta pela Standard & Poor’s, não deve atrapalhar o desempenho das ações das instituições financeiras maiores.

Até ser anunciada oficialmente, essa revisão feita pela S&P antes rondava nas mesas de operações como um rumor de possível rebaixamento da nota de risco de crédito soberano do Brasil por parte de alguma agência de classificação de risco, o que atingiu em cheio os mercados domésticos, colocando o Ibovespa abaixo dos 58 mil pontos e içando o dólar até R$ 1,980 durante a sessão.

“Hoje, deve haver algum ajuste a esse boato não confirmado”, avalia o estrategista da Fator Corretora.

Além dessa correção em alta, a Bolsa também deve ser beneficiada pelos ganhos exibidos pelos mercados internacionais, sobretudo em Nova York, com os investidores dispostos em esticar o recente rali entre as ações. A confiança na economia dos EUA, que poderia até mesmo suportar o impacto dos cortes orçamentários, favorece o movimento.

Ainda por volta do horário acima, o futuro do S&P 500 subia 0,30%, na máxima, ampliando os ganhos após a queda nos pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA, para 332 mil, contrariando a previsão de alta para 350 mil solicitações. A média móvel dos pedidos feitos em quatro semanas caiu ao menor nível em cinco anos.

Ainda por lá, o índice de preços ao produtor (PPI) subiu 0,7% em fevereiro ante janeiro, enquanto o déficit em conta corrente do país caiu a US$ 110,42 bilhões no quarto trimestre de 2012, ante previsão de -US$ 112,6 bilhões.